16. O cofre

A paixão da tia Iraci era o Bernardo. Agora com seis anos, Bernardo afirmava a todos que era pré-adolescente. Como também tinha a tia como um alguém muito especial, com ela conversava sobre todas as coisas que lhe interessavam. Gostava de acompanhá-la nas compras e nos projetos.

A tia Iraci contou ao Bernardo que pretendia trocar de carro. Animado, ele assegurou a ela que iria ajudá-la nos gastos: Tenho um cofrinho cheio de moedas.

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13. Cuidados

…, já com oito anos, era o protetor da mãe. Não só a protegia como se enciumava com atenções alheias.
Sempre que era preciso fazer compras, lá iam, ele e o irmão, cheios de planos e alegria, por estarem ajudando a mamãe.

Naquele dia, voltou irritado para casa. O pai, atento, percebeu que alguma coisa não estava agradando ao pequeno: Que aconteceu? Sabe?!, lá no mercado, tinha um cara que ficou olhando a Mamãe passar. Cara metido, não tirava o olho.

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12. Catacrese

Movida pela curiosidade, Helena está sempre criando novas brincadeiras. São as pedras, as folhas, as bonecas – com as quais ela repete os cuidados que a mãe lhe dedica: alimenta-as com comidinhas imaginárias, troca suas fraldas, não sem antes aplicar-lhes uma camada de pomada protetora. As poças de água, as vassouras e os rodos também a atraem vivamente.

Escuta a natureza. Distingue o canto dos pássaros, o barulho do vento nas árvores, o latido de um cão.

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11 . Mel

Quando Thais nasceu, uma fada benfazeja prognosticou: Essa criança vai surpreender, será o socorro de muitos, a alegria dos pais, o sorriso da mamãe, e sua inteligência atrairá a atenção de todos.

Os cuidados que acompanharam seus primeiros anos talvez não a levassem a concordar com tão bons augúrios: sua alimentação era controlada (só podia comer alimentos preparados em sua própria casa); não conhecia açúcar, sob nenhuma forma (seus doces, sucos, lanches variados eram todos preparados com mel); balas, refrigerantes, chocolates pertenciam a um mundo em que nunca adentrava.

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10 . Bernardo

Bernardo concentrava os carinhos da família. Risonho, identificava-se com o avô, com quem estabelecera profunda ligação.

Quando chegou o momento de frequentar a escola, mostrou-se entusiasmado com as novidades. Nesse entusiasmo, lembrou-se do avô. Como contar-lhe tudo aquilo? Como mostrar a ele sua escola? Como dizer onde ela ficava, as cores que tinha, quem eram os vizinhos? Como não esquecer tantos detalhes na hora de contar tudo ao avô?

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9 . Gêmeos

Os gêmeos entraram no mundo por meio de uma cesariana, com pequeno intervalo entre um e outro.

Em pouco tempo se deram conta de que o fato de serem imensamente parecidos fazia deles alvo de atenção constante, coisa que, às vezes, os irritava, em outras, inspirava jogos e brincadeiras. Os amigos dos pais mostravam alegria em participar dos cuidados, das atividades do dia a dia, das surpresas que apresentavam.

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6 . O irmãozinho

Davi fizera dois anos e estava agora com o papai no corredor do hospital à espera do chamado para conhecer o irmãozinho que acabara de nascer.

Toda a família e também os amigos próximos haviam comunicado a ele, dezenas de vezes, a chegada de um bebê que iria crescer e se tornar seu companheiro de brincadeiras. Ele nada dizia e fingia não haver escutado o que lhe diziam.

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5 . A Molhadora

Brincar com água, sapatear nas poças: essas eram as brincadeiras que mais agradavam a Rebeca. Talvez fosse essa a razão para que Pepa fosse sua personagem favorita.

No verão, o sol se encarregava de rapidamente enxugar os joelhos molhados e as roupas respingadas. Mas aquele era um dia de inverno, a chuva caindo há horas. Rebeca escapou da sala e se entregou a correr no jardim para ver a água espadanar. A calça e o casaquinho do abrigo ficaram bastante molhados.

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4 . Minha filha neta

Julia, quando pequena, demonstrava grande interesse pelas palavras: pesava-as, pensava-as, aproximava sentidos e sonoridades. A descoberta de um significado despertava sempre um novo entusiasmo.

Passava ela, com os irmãozinhos, um fim de semana na casa da avó. Servido o lanche, a avó a chamou:

Julia, vem cá, minha filha!

Mas eu não sou tua filha!… respondeu Julia um tanto assustada.

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3 . Violinos

Os cabelos encaracolados, a avó herdara dos dois ramos da família: o pai, enquanto vivera, ostentara a cabeleira frisada em ondas miúdas; a mãe balançava incontáveis cachos macios que jamais perdiam a forma. Assim, também ela fora contemplada com uma profusão de ondas e caracóis que, mesmo sob a maior tormenta, mantinham-se no lugar.

Diferentes cortes e tesouras haviam fracassado na tentativa de moldá-los e dar-lhes movimento.

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2 . Cores

Aos dois anos, Cláudia aprendia a reconhecer as cores.  Descobria os tons próximos e os contrastantes e passava horas em combinações. Os brinquedos eram agrupados de acordo com as cores e suas nuances.

Certo dia, reunidos ao redor da mesa para o almoço, Cláudia deteve demoradamente o olhar em cada um dos familiares. De repente, dividiu com todos suas observações:  Vocês sabem que as pessoas têm cores? Vovó é marronzinha, Mamãe é azul, Naninha é alaranjada, e eu sou amarelinha.

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1 . Não no hotel

Os quatro anos incompletos não eram ainda suficientes para que soubesse apreciar os parques e as praças, a multidão e o colorido das ruas. Tudo lhe pareceu extremamente cansativo e, para desespero dos pais, quando amuado, acompanhava os gritos de insatisfação de Nicholas.
Seu desgosto maior foi a permanência em hotéis, longe de seus brinquedos e seus jogos, nos momentos em que a família buscava repouso.

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