Problemas de construção de frases

Problemas de construção de frases

É PRECISO TOMAR CUIDADO

Problemas de construção de frases

Temos a seguinte ordem de colocação dos elementos que podem ocorrer em uma oração : sujeito verbo complementos adjunto adverbial

Podem ser identificados cinco padrões básicos para as orações formadas com sujeito na língua portuguesa (a função aqui apresentada entre parênteses é facultativa e pode ocorrer em ordem diversa):

  1. Sujeito + verbo intransitivo + (Adjunto Adverbial) — A disputa acabou (ontem).
  2. Sujeito + verbo transitivo direto + objeto direto + (adjunto adverbial) — O professor fez a chamada (no início das aulas).
  3. Sujeito + verbo transitivo indireto + objeto indireto + (adjunto adverbial) — A empresa + precisa + de novos computadores + (com urgência).
  4. Sujeito + verbo transitivo direto e indireto + obj. direto + obj. indireto + (adj. Adv.) — Os alunos + entregaram + suas reivindicações + ao Diretor + (no fim da reunião).
  5. Sujeito + verbo de ligação + predicativo + (adjunto adverbial) — O problema + está + esclarecido + (agora).

SUJEITO

O sujeito é o ser de quem se fala ou que executa a ação enunciada na oração. Ele pode ter complemento, mas nunca ser complemento. Devem ser evitadas, portanto, construções como:

Errado

Certo

É hora do ônibus chegar. É hora de o ônibus chegar.
Apesar das ideias serem defendidas, elas não têm bases sólidas. Apesar de as ideias serem defendidas, elas não têm bases sólidas.
Não vejo mal na mãe querer estar com o filho. Não vejo mal em a mãe querer estar com o filho.
Antes destes cuidados serem tomados, (…). Antes de estes cuidados serem tomados, (…).
Apesar da população ter-se mostrado contra

(…).

Apesar de a população ter-se mostrado contra

(…).

OBSERVAÇÃO: Esse cuidado só se dá com a língua escrita.

 

FRASES FRAGMENTADAS

A fragmentação de frases “consiste em pontuar uma oração subordinada ou uma simples locução como se fosse uma frase completa”.

Decorre da pontuação errada de uma frase simples. Embora seja usada como recurso estilístico na literatura, a fragmentação de frases deve ser evitada nos textos oficiais, técnicos e acadêmicos, pois, além de resultar em erro, dificulta a compreensão.

Errado

Certo

O programa recebeu a aprovação da população. Depois de ser longamente debatido. O programa recebeu a aprovação da população, depois de ser longamente debatido.
Depois de ser longamente debatido, o programa recebeu a aprovação da população.
O projeto de construção de uma marina na entrada da cidade foi aprovado. Embora a população se mostrasse contra. O projeto de construção de uma marina na entrada da cidade foi aprovado, embora a população se mostrasse contra.

ERROS DE PARALELISMO

Uma das convenções estabelecidas na linguagem escrita “consiste em apresentar ideias similares numa forma gramatical idêntica”, o que se chama de paralelismo.

Assim, incorre-se em erro ao conferir forma não paralela a elementos paralelos.

Vejamos alguns exemplos:

Exemplo 1

Errado: O aviso no banheiro público recomendava fechar as torneiras e que apagassem as luzes ao sair.

Nessa frase temos duas estruturas diferentes para ideias equivalentes: a primeira oração é reduzida de infinitivo, enquanto a segunda é uma oração desenvolvida.

Há mais de uma possibilidade de escrevê-la com clareza e correção: uma seria a de apresentar as duas orações subordinadas como desenvolvidas, introduzidas pela conjunção integrante que.

Certo: O aviso no banheiro público recomendava que fechassem as torneiras e que apagassem as luzes ao sair.

Outra possibilidade: as duas orações apresentadas como reduzidas de infinitivo:

Certo: O aviso no banheiro público recomendava fechar as torneiras e apagar as luzes ao sair.

Nas duas correções, respeita-se a estrutura paralela na coordenação de orações subordinadas.

Exemplo 2

Mais um exemplo de frase que peca por erro de paralelismo:

Errado: Em defesa do filho, mostrou determinação, não ser inseguro, inteligência e ter ambição.

O problema aqui decorre de coordenar palavras (substantivos) com orações (reduzidas de infinitivo).

Para tornar a frase clara e correta, pode-se optar ou por transformá-la em frase simples, substituindo as orações reduzidas por substantivos, ou empregar a forma oracional reduzida uniformemente:

Certo: Em defesa do filho, mostrou determinação, segurança, inteligência e ambição.

Certo: Em defesa do filho, mostrou ser determinado e seguro, ter inteligência e ambição.

 

Atentemos, ainda, para o problema inverso, o falso paralelismo, que ocorre ao se dar forma paralela (equivalente) a ideias diferentes ou, ainda, ao se apresentar, de forma paralela, estruturas sintáticas distintas:

Errado: Visitei várias cidades, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e minha avó.

Nessa frase, colocou-se em um mesmo nível cidades e uma pessoa. Uma possibilidade de correção é transformá-la em duas frases simples, com o cuidado de não repetir o verbo da primeira (visitar):

Certo: : Visitei várias cidades, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre. Ali encontrei minha avó.

 

Errado: O projeto tem mais de cem páginas e muita complexidade.

Aqui  se repete a equivalência gramatical indevida: um dado objetivo, quantificável e uma avaliação subjetiva. Pode-se reescrever a frase de duas formas: ou faz-se nova oração com o acréscimo do verbo ser, rompendo, assim, o desajeitado paralelo, ou se dá forma paralela harmoniosa transformando a primeira oração também em uma avaliação subjetiva:

Certo: O projeto tem mais de cem páginas e é muito complexo.

Certo: O projeto é muito extenso e complexo.

 

FALTA DE PARALELISMO SINTÁTICO

Sem paralelismo: Passei alguns dias junto a minha família e revendo velhos amigos de infância. (Observe os tempos verbais.)

  • Passei alguns dias junto a minha família. Procurei rever, ao mesmo tempo, velhos amigos de infância.
  • Passei alguns dias junto a minha família e revi velhos amigos de infância.
  • Passei alguns dias junto a minha família e a velhos amigos de infância.

FALTA DE PARALELISMO SEMÂNTICO

  • Há uma grande diferença entre os candidatos a matrículas e as vagas nas escolas.
    (Candidato é ser humano, vaga é um abstrato.)
  • Enquanto os Estados Unidos se distinguem pelo alto padrão de vida, os nossos nordestinos vivem em condições quase miseráveis.
    (Estados Unidos é um país, nordestinos são pessoas.)
  • Zulmira não estava na casa nem na varanda.
    (A varanda é parte da casa.)

 

O emprego de expressões correlativas como não só … mas (como) também; tanto … quanto (ou como); nem … nem; ou … ou; etc. costuma apresentar problemas quando não se mantém o obrigatório paralelismo entre as estruturas apresentadas.

Nos dois exemplos abaixo, rompe-se o paralelismo pela colocação do primeiro termo da correlação fora de posição.

Errado: Ou você reconhece que errou, ou me convence de que está certo.

Certo: Você ou reconhece que errou, ou me convence de que está certo.

Errado: O interventor não só tem obrigação de apurar a fraude, como também a de punir os culpados.

Certo: O interventor tem obrigação não só de apurar a fraude, como também de punir os culpados.

 

Mencionemos, por fim, o falso paralelismo provocado pelo uso inadequado da expressão e que num período que não contém nenhum que anterior.

Errado: O novo professor é pesquisador reconhecido, e que tem sólida formação acadêmica.

Para corrigir a frase, ou suprimimos o pronome relativo, ou suprimimos a conjunção, que está a coordenar elementos díspares:

Certo: O novo professor é pesquisador reconhecido, e tem sólida formação acadêmica.

Certo: O novo professor é pesquisador reconhecido, com sólida formação acadêmica.

Certo: O novo professor é pesquisador reconhecido, que tem sólida formação acadêmica.

 

Outro exemplo de falso paralelismo com e que:

Errado: Neste momento, não se devem adotar medidas precipitadas e que comprometam o andamento de todo o programa.

Da mesma forma com que corrigimos o exemplo anterior aqui podemos ou suprimir a conjunção, ou estabelecer forma paralela coordenando orações adjetivas, recorrendo ao pronome relativo que e ao verbo ser:

Certo: Neste momento, não se devem adotar medidas precipitadas que comprometam o andamento de todo o programa.

Certo: Neste momento, não se devem adotar medidas que sejam precipitadas e que comprometam o andamento de todo o programa

 

A omissão de certos termos ao fazermos uma comparação, omissão própria da língua falada, deve ser evitada na língua escrita, pois compromete a clareza do texto: nem sempre é possível identificar, pelo contexto, qual o termo omitido. A ausência indevida de um termo pode impossibilitar o entendimento do sentido que se quer dar a uma frase:

Errado: O salário de um professor é mais baixo do que um médico.

A omissão de termos provocou uma comparação indevida: “o salário de um professor” com “um médico”.

Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o salário de um médico.

Certo: O salário de um professor é mais baixo do que o de um médico.

 

Errado: O alcance do Decreto é diferente da Portaria.

Novamente, a não repetição dos termos comparados confunde. Alternativas para correção:

Certo: O alcance do Decreto é diferente do alcance da Portaria.

Certo: O alcance do Decreto é diferente do da Portaria.

 

Errado: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas do que os Ministérios do Governo.

No exemplo acima, a omissão da palavra “outros” (ou “demais”) acarretou imprecisão:

Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas do que os outros Ministérios do Governo.

Certo: O Ministério da Educação dispõe de mais verbas do que os demais Ministérios do Governo.

AMBIGUIDADE

Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada em mais de um sentido. Como a clareza é requisito básico de todo texto oficial, deve-se atentar para as construções que possam gerar equívocos de compreensão.

A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de identificar-se a que palavra se refere um pronome que possui mais de um antecedente na terceira pessoa.

Pode ocorrer com:

  1. pronomes pessoais:
    • Ambíguo: Joana percebeu na irmã os medos que ela sempre se negara a sentir.
    • Claro: Joana percebeu que a irmã lutava contra os próprios medos.
  2. pronomes possessivos e pronomes oblíquos:
    • Ambíguo: O diretor saudou o professor, o que garantiu seu reconhecimento pelos alunos.
    • Claro: O diretor saudou o professor. Esse gesto garantiu ao professor o reconhecimento dos alunos.
  3.  pronome relativo:
    • Ambíguo: Roubaram a mesa do gabinete em que eu costumava trabalhar.
      Não fica claro se o pronome relativo da segunda oração se refere a mesa ou a gabinete. Essa ambiguidade se deve ao pronome relativo que, sem marca de gênero. A solução é recorrer às formas o qual, a qual, os quais, as quais, que marcam gênero e número.
    • Claro: Roubaram a mesa do gabinete no qual eu costumava trabalhar.
      Se o entendimento é outro, então:
    • Claro: Roubaram a mesa do gabinete na qual eu costumava trabalhar.

 

A posição do adjunto adverbial pode gerar ambiguidade, observe:

  • Ele entregou as armas que recolheu na delegacia.
  • O curso que eu escolhi agora é considerado de ponta.
  • Os invasores ocuparam o hotel depois que todos saíram com grande alarido.
  • Assinei um contrato para ajudá-lo no dia 15.

 

Há, ainda, outro tipo de ambiguidade, que decorre da dúvida sobre a que se refere a oração reduzida:

  •  Ambíguo: Estando atrasado, o pai  admoestou o filho.
    Para evitar o tipo de ambiguidade do exemplo acima, deve-se deixar claro qual o sujeito da oração reduzida.
  • Claro: O pai  admoestou o filho por este estar atrasado./ Estando o filho atrasado, o pai o admoestou…
  •  Ambíguo: Depois de examinar o paciente, uma senhora chamou o médico.
  • Claro: Depois que o médico examinou o paciente, foi chamado por uma senhora.

 

É preciso cuidado com a omissão do Sujeito de uma subordinada reduzida de gerúndio ou de infinitivo, quando ele não é o mesmo da principal.

  • Saindo de casa, a porta fechou-se com ímpeto.

Claro: Saindo ele de casa, …

Claro: Quando ele saiu de casa, …

  • Ao mudar-se para o Rio, o trabalho de meu pai obrigou-o a frequentes viagens.

Claro: Ao mudar-se meu pai para o Rio, seu trabalho obrigou-o…

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