A exemplo do pai, Márcio passava parte de seu tempo às voltas com revistas em quadrinho. Brincava com cavaleiros e heróis. Combatia monstros e inimigos – dragões, seres vindos do espaço e do futuro, todos “criaturas” que compunham um universo em que ele representava a defesa dos fracos.

Seu mundo mágico ia além da fantasia: penetrava sua relação com as pessoas e o ambiente. O sorriso claro, os olhos brilhantes, a prontidão dos gestos faziam dele um amigo de todos.

Cuidado, criatura de Deus, você vai se machucar!  – gritou-lhe um dia alguém da família para avisá-lo de um perigo. Ele imediatamente começou a chorar. Pronto, o susto passou. Você não se machucou: não precisa chorar.

Preciso, sim!

Mas, por quê?

Porque você não gosta de mim…

Gosto, sim. Como não? Gosto muito mesmo. Eu estava preocupada porque você ia se machucar…

Gosta não… você me chamou de Criatura.