{"id":242,"date":"2020-07-07T17:02:01","date_gmt":"2020-07-07T20:02:01","guid":{"rendered":"http:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/?p=242"},"modified":"2020-07-07T17:04:11","modified_gmt":"2020-07-07T20:04:11","slug":"estudo-das-marcas-do-regionalismo-num-fragmento-de-vidas-secas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/estudo-das-marcas-do-regionalismo-num-fragmento-de-vidas-secas\/","title":{"rendered":"Um estudo das marcas do Regionalismo num fragmento de Vidas secas, de Graciliano Ramos"},"content":{"rendered":"<h1>Um estudo das marcas do Regionalismo num fragmento de Vidas secas, de Graciliano Ramos<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/h1>\n<p>Um texto narrativo se constr\u00f3i num di\u00e1logo permanente com o todo que \u00e9 apresentado ao leitor, registrando n\u00e3o apenas a fala do criador da obra de arte, mas as muitas vozes que se somam no universo social e hist\u00f3rico que ele se prop\u00f5e retratar <a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Registrar os fatos n\u00e3o se faz apenas com uma sequ\u00eancia de acontecimentos, com destaque para esta ou aquela personagem, este ou aquele aspecto da ambi\u00eancia. A escolha da palavra exata, do termo espec\u00edfico, da express\u00e3o que pode salientar ou diluir uma sensa\u00e7\u00e3o, uma percep\u00e7\u00e3o \u00e9 o que d\u00e1 colorido e verossimilhan\u00e7a \u00e0 trama. A forma reveste o fundo, faz com que o leitor seja envolvido pelas palavras e pelos fatos apontados.<\/p>\n<p>O trecho abaixo \u00e9 parte do romance <strong>Vidas secas<\/strong>, de Graciliano Ramos<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>:<\/p>\n<p><em>As manchas dos juazeiros tornaram a aparecer, Fabiano <strong>aligeirou<\/strong> o passo, <strong>esqueceu<\/strong> a fome, a canseira, os ferimentos. As alpercatas dele estavam gastas nos saltos, e a embira tinha-lhe aberto entre os dedos rachaduras muito dolorosas. Os calcanhares, duros como cascos, gretavam-se e sangravam.<\/em><\/p>\n<p><em>Num cotovelo do caminho <strong>avistou<\/strong> um canto de cerca, encheu-o a esperan\u00e7a de achar comida, sentiu desejo de cantar. A voz saiu-lhe rouca, medonha. Calou-se para n\u00e3o estragar for\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Deixaram<\/em><\/strong><em> a margem do rio, <strong>acompanharam<\/strong> a cerca, <strong>subiram<\/strong> uma ladeira, <strong>chegaram<\/strong> aos juazeiros. Fazia tempo que n\u00e3o viam sombra.<\/em><\/p>\n<p><em>Sinh\u00e1 Vit\u00f3ria acomodou os filhos, que arriaram como trouxas, cobriu-os com molambos. O menino mais velho, passada a vertigem que o derrubara, encolhido sobre folhas secas, a cabe\u00e7a encostada a uma raiz, adormecia, acordava. E quando abria os olhos, distinguia vagamente um monte pr\u00f3ximo, algumas pedras, um carro de bois. A cachorra Baleia foi enroscar-se junto dele.<\/em><\/p>\n<p><em>Estavam no p\u00e1tio de uma fazenda <strong>sem vida<\/strong>. O curral <strong>deserto<\/strong>, o chiqueiro das cabras <strong>arruinado<\/strong> e tamb\u00e9m <strong>deserto<\/strong>, a casa do vaqueiro <strong>fechada<\/strong>, tudo anunciava abandono. Certamente o gado se <strong>finara<\/strong> e os moradores <strong>tinham fugido<\/strong>.<\/em><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>O enfoque principal do texto \u00e9 <strong>a seca<\/strong>. Nos par\u00e1grafos aqui apresentados, mais especificamente, destacam-se <strong>as agruras e esperan\u00e7as da jornada de Fabiano e sua fam\u00edlia de retirantes<\/strong><strong>.<\/strong><\/p>\n<p>Vamos, agora, caminhar pelas rela\u00e7\u00f5es textuais estabelecidas em seu processo de organiza\u00e7\u00e3o. Podemos, assim, n\u00e3o apenas compreender seu sentido, mas mergulhar, por meio de nossa leitura, num espa\u00e7o de descobertas.<\/p>\n<p><strong>Como o autor garante a coes\u00e3o do texto<\/strong>?<\/p>\n<p>Observemos inicialmente os <strong>nexos <\/strong>(elementos que aproximam as v\u00e1rias partes do texto) de que se vale Graciliano Ramos na constru\u00e7\u00e3o da narrativa.<\/p>\n<p>Elisa Guimar\u00e3es lembra que a rede de rela\u00e7\u00f5es entre os v\u00e1rios elementos constitutivos de um texto forma um movimento de vaiv\u00e9m que permite captar o sentido do texto e determinar as unidades que o estruturam. <a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>F\u00e1cil \u00e9 constatar-se a forma escolhida por Graciliano para marcar, no segmento destacado, a progress\u00e3o textual, apoiada na sucess\u00e3o cronol\u00f3gica dos fatos apresentados, forma essa que, ali\u00e1s, acentua a progress\u00e3o da pr\u00f3pria narrativa, tecida com o aproveitamento da progress\u00e3o temporal. As a\u00e7\u00f5es ali s\u00e3o listadas de forma sequencial, sem rodeios ou interrup\u00e7\u00f5es, marcando o ritmo da busca.<\/p>\n<p>No desenvolvimento do texto, percebem-se segmentos, diferen\u00e7as de enfoque que se sucedem e se completam. Podemos, para melhor observ\u00e1-las, assim distribu\u00ed-las:<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>segmento a<\/em>) &#8211; de&nbsp; <strong><em>As manchas dos juazeiros<\/em><\/strong> at\u00e9 &#8230; <strong><em>para n\u00e3o estragar for\u00e7a<\/em><\/strong>;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>segmento b<\/em>) &#8211; de&nbsp; <strong><em>Deixaram a margem do rio<\/em><\/strong> at\u00e9 &#8230; <strong><em>Baleia foi enroscar-se junto dele<\/em><\/strong>;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <em>segmento c<\/em>) &#8211; de&nbsp; <strong><em>Estavam<\/em><\/strong> at\u00e9 &#8230; <strong><em>tinham fugido<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>O <em>segmento a <\/em>(<strong><em>As manchas dos juazeiros<\/em><\/strong> at\u00e9 &#8230; <strong><em>para n\u00e3o estragar for\u00e7a<\/em><\/strong>) desperta no leitor a cumplicidade com o sofrimento de Fabiano.<\/p>\n<p>O primeiro per\u00edodo do par\u00e1grafo, iniciado com o sujeito, apresenta-se em ordem direta, o que vem a dar destaque para a presen\u00e7a dos juazeiros como sinal de esperan\u00e7a. Embora a palavra <em>esperan\u00e7a<\/em> apare\u00e7a apenas no par\u00e1grafo seguinte, a ideia se transmite j\u00e1 a partir do sentido sem\u00e2ntico dos verbos <strong>aligeirou<\/strong> (o passo) e <strong>esqueceu<\/strong> (a fome). O emprego de v\u00edrgula, e n\u00e3o ponto, separando\/unindo a informa\u00e7\u00e3o inicial (surgimento dos juazeiros) e a rea\u00e7\u00e3o de Fabiano refor\u00e7a a rela\u00e7\u00e3o entre os fatos.<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a se manifesta nas informa\u00e7\u00f5es do par\u00e1grafo seguinte ao que acima se comentou. Neste, a <strong>coes\u00e3o gramatical<\/strong> se faz pela sequ\u00eancia de verbos em terceira pessoa do singular que remetem \u00e0 personagem Fabiano, sem mencion\u00e1-lo diretamente. A predomin\u00e2ncia de ora\u00e7\u00f5es coordenadas, no mais das vezes assind\u00e9ticas (sem elementos de liga\u00e7\u00e3o), acentua as emo\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias e a falta de complexidade de Fabiano. Fabiano aparece, ali\u00e1s, de forma recorrente em v\u00e1rios nexos: \u201c<em>As alpercatas <strong>dele<\/strong><\/em> estavam gastas nos saltos, e a embira <em>tinha-<strong>lhe<\/strong> aberto entre os dedos<\/em> (os dedos dele) rachaduras muito dolorosas. <em>Os calcanhares<\/em> (<strong><em>os<\/em><\/strong> aqui significando seus\/dele), duros como cascos, gretavam-se e sangravam\u201d.<\/p>\n<p>O <em>segmento b<\/em> (<strong><em>Deixaram a margem do rio<\/em><\/strong> at\u00e9 &#8230; <strong><em>Baleia foi enroscar-se junto dele<\/em><\/strong><em>.<\/em>) exp\u00f5e <strong>as a\u00e7\u00f5es desencadeadas pela vista dos juazeiros<\/strong>. O par\u00e1grafo se inicia com um verbo empregado na terceira pessoa do plural, remetendo o leitor ao conhecimento anterior de que Fabiano era acompanhado por sua fam\u00edlia. A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 contextual, mas n\u00e3o imediata. Uma sucess\u00e3o de verbos tamb\u00e9m na terceira pessoa do plural leva o leitor a abranger todas as personagens nos movimentos que a esperan\u00e7a desencadeia.<\/p>\n<p>O par\u00e1grafo seguinte vai listando as a\u00e7\u00f5es das demais personagens, agora inclu\u00eddas e mencionadas.<\/p>\n<p>Chama a aten\u00e7\u00e3o, nos segmentos analisados, a utiliza\u00e7\u00e3o de poucos adjetivos. Seu emprego \u00e9 preciso e complementa as demais informa\u00e7\u00f5es presentes nas ora\u00e7\u00f5es. O mesmo n\u00e3o acontece no trecho que analisaremos a seguir. A organiza\u00e7\u00e3o que o autor escolhe para o par\u00e1grafo seguinte far\u00e1 contrastar o novo momento da narrativa com o movimento de esperan\u00e7a que se constru\u00edra at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>O <em>segmento c <\/em>(<strong><em>Estavam no p\u00e1tio de uma fazenda sem vida<\/em><\/strong>&#8230;<strong><em>tinham fugido<\/em><\/strong>) desenvolve a ideia de<strong> abandono<\/strong>. Acompanhemos os recursos criados pelo autor, para alcan\u00e7ar seu objetivo:<\/p>\n<p><strong><em>Estavam<\/em><\/strong>, forma verbal que localiza (determina o lugar em que se encontra) o sujeito da ora\u00e7\u00e3o (Fabiano e a fam\u00edlia, intencionalmente omitido, para dar mais \u00eanfase ao verbo, mas que o emprego da terceira pessoa do plural evidencia). O significado do verbo <strong>estar<\/strong>, entretanto, n\u00e3o indica a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o revela movimento. Na escolha desse verbo, revela-se uma interrup\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8230; <strong><em>no p\u00e1tio de uma<\/em><\/strong> <strong><em>fazenda <u>sem vida<\/u><\/em><\/strong>. Verifica-se o contraste que surge da aproxima\u00e7\u00e3o das palavras <strong>fazenda<\/strong> e <strong>sem vida<\/strong>: <strong>fazenda<\/strong> desperta a imagem de movimento e de agita\u00e7\u00e3o, de lugar em que se re\u00fanem muitas formas de vida. Tal conota\u00e7\u00e3o \u00e9 destru\u00edda, de forma brusca, pelo emprego da express\u00e3o <strong><u>sem vida<\/u><\/strong>.<\/p>\n<p><strong><em>O curral <u>deserto<\/u><\/em><\/strong>&#8230; Observa-se aqui o mesmo recurso j\u00e1 empregado: o substantivo <strong>curral<\/strong>, com um sentido pragm\u00e1tico (significado + associa\u00e7\u00e3o de ideias despertadas pela viv\u00eancia, pelo uso, pela situa\u00e7\u00e3o) de movimento, vida, quantidade de animais se entrechocando, \u00e9 desmentido pelo adjetivo <strong><u>deserto<\/u><\/strong>.<\/p>\n<p>O contraste \u00e9 novamente utilizado em <strong><em>chiqueiro das cabras <u>arruinado<\/u> e tamb\u00e9m <u>deserto<\/u><\/em><\/strong>. No adjetivo <strong><u>arruinado<\/u> <\/strong>se esconde uma dupla impress\u00e3o de abandono: dos animais que ali haviam habitado (refor\u00e7ado pela express\u00e3o <strong>tamb\u00e9m <u>deserto<\/u><\/strong>) e da m\u00e3o humana que deixara de promover a recupera\u00e7\u00e3o do chiqueiro (e cuja aus\u00eancia o deixara estar arruinado).<\/p>\n<p>A mesma estrat\u00e9gia se repete em a <strong><em>casa do vaqueiro<u> fechada<\/u><\/em><\/strong>: <strong>casa do vaqueiro<\/strong> carrega um sentido de conviv\u00eancia que \u00e9 negado pelo adjetivo <strong>fechada,<\/strong> refor\u00e7ando-se no <strong><em>tudo anunciava abandono<\/em><\/strong>. O pronome <strong>tudo, <\/strong>ao ser empregado para resumir a realidade adversa que cercava as personagens, adquire especial intensidade.<\/p>\n<p>A <strong>coes\u00e3o textual<\/strong> \u00e9 tecida, entre outros recursos, pela reitera\u00e7\u00e3o de uma informa\u00e7\u00e3o por meio do emprego de ideias sin\u00f4nimas ou aproximadas. O autor o faz refor\u00e7ando de diferentes maneiras uma mesma informa\u00e7\u00e3o, a de que aquilo que representava vida fora destru\u00eddo.<\/p>\n<p>Significado especial adquirem os verbos da ora\u00e7\u00e3o seguinte: <strong><em>Certamente o<\/em><\/strong> <strong><em>gado se finara e os moradores tinham fugido<\/em><\/strong> &#8211; <strong>finar-se<\/strong> \u00e9 morrer devagarinho, sem condi\u00e7\u00f5es de luta (condi\u00e7\u00e3o animal), <strong>fugir<\/strong> indica consci\u00eancia da trag\u00e9dia (condi\u00e7\u00e3o humana), \u00fanica diferen\u00e7a a distinguir homens e animais. <a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>A soma das impress\u00f5es que a leitura atenta dos tr\u00eas segmentos possibilita permite compor tr\u00eas quadros que, somados, construir\u00e3o a imagem maior que o fragmento do romance <strong><em>Vidas secas<\/em><\/strong> pretende transmitir. Essa imagem, por sua vez, encaixa-se no tema geral do romance que, como sabemos, <strong>enfoca a trag\u00e9dia do homem e da natureza<\/strong> <strong>frente \u00e0 seca do Nordeste <\/strong>(Empregamos o termo <strong>tema<\/strong> com o significado de ideia primordial que desencadeia o assunto).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><strong>[1]<\/strong><\/a> Este estudo \u00e9 parte de minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, <strong>O texto no es<\/strong><strong>pa\u00e7o virtual: a leitura em rede<\/strong>, apresentado aqui revisto e adaptado ao objetivo desta publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> BAKHTIN, Mikhail. <strong>Quest\u00f5es de literatura e est\u00e9tica<\/strong>: a teoria do romance. S\u00e3o Paulo: UNESP\/ HUCITEC, 1988.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> RAMOS, Graciliano. <strong>Vidas secas<\/strong>. 12 ed. S\u00e3o Paulo: Livraria Martins Editora, 1965. Obs.: A grafia do texto aqui apresentado foi atualizada, com a elimina\u00e7\u00e3o dos acentos atualmente em desuso.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> RAMOS, Graciliano. <strong>Vidas secas<\/strong>. 12 ed. S\u00e3o Paulo: Livraria Martins Editora, 1965, p. 10-11.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> GUIMAR\u00c3ES, Elisa. A articula\u00e7\u00e3o do texto. S\u00e9rie Princ\u00edpios, 8 ed. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2000, p.22.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> A an\u00e1lise que acima apresentamos \u00e9 baseada no trabalho desenvolvido pelos professores Fernando L\u00e1zaro Carreter e Cec\u00edlia de Lara, no <strong>Manual de Explica\u00e7\u00e3o de<\/strong> <strong>Textos<\/strong>, Livraria Acad\u00eamica, Rio de Janeiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um texto narrativo se constr\u00f3i num di\u00e1logo permanente com o todo que \u00e9 apresentado ao leitor, registrando n\u00e3o apenas a fala do criador da obra de arte, mas as muitas vozes que se somam no universo social e hist\u00f3rico que ele se prop\u00f5e retratar <\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":245,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,5],"tags":[14,11,13,12],"class_list":["post-242","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-elaboracao-do-texto","category-textos","tag-elaboracao-do-texto","tag-genero","tag-narracao","tag-narrativa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=242"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":248,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/242\/revisions\/248"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/media\/245"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=242"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=242"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=242"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}