{"id":234,"date":"2020-06-25T10:43:15","date_gmt":"2020-06-25T13:43:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/?p=234"},"modified":"2020-06-22T10:55:08","modified_gmt":"2020-06-22T13:55:08","slug":"o-romance","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/o-romance\/","title":{"rendered":"O Romance"},"content":{"rendered":"<p><em>Publicado originalmente na disserta\u00e7\u00e3o de mestrado <strong>O texto no espa\u00e7o virtual: a leitura em rede<\/strong>, &nbsp;de Clarmi Regis<\/em><\/p>\n<p>\u201cIndependentemente [&#8230;] dos cen\u00e1rios ideol\u00f3gicos [&#8230;], a narrativa n\u00e3o cessa de se afirmar como modo de representa\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria preferencialmente orientado para a condi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do Homem, para o seu devir e para a realidade em que ele se processa; no sentido de sublimar tal orienta\u00e7\u00e3o [&#8230;].\u201d <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>O romance, ensina Ang\u00e9lica Soares, em <strong>G\u00eaneros liter\u00e1rios<\/strong> <a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, \u00e9 uma forma narrativa surgida na Idade M\u00e9dia, com os romances de cavalaria. Ao contr\u00e1rio da epopeia, que caracterizou a narrativa da Antiguidade Cl\u00e1ssica e mesclava o destino da coletividade e o car\u00e1ter heroico aos fatos hist\u00f3ricos nela relatados, voltou-se o romance para o homem como pessoa.<\/p>\n<p>Mant\u00e9m-se, a partir de ent\u00e3o, assumindo diferentes tem\u00e1ticas e sofrendo seguidas transforma\u00e7\u00f5es, de sorte que hoje o encontramos revestido de cr\u00edtica social, conte\u00fado hist\u00f3rico, narrativa impressionista, cr\u00edtica de costumes, an\u00e1lise psicol\u00f3gica, realismo maravilhoso, aparecendo, at\u00e9 mesmo, em forma de romance-ensaio, mesclado \u00e0 teoria liter\u00e1ria. Recebeu especial tratamento durante o Romantismo. Embora nem sempre se possa identificar com clareza os elementos que estruturam um romance, ele se constitui apoiado no enredo, nas personagens, no espa\u00e7o, no tempo e no ponto de vista da narrativa.<\/p>\n<p>O <strong>enredo<\/strong>, ou intriga, \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o dos acontecimentos que comp\u00f5em a f\u00e1bula na trama que lhes d\u00e1 forma. Essa organiza\u00e7\u00e3o se faz em torno de um tema, elemento unificador da narrativa. Na organiza\u00e7\u00e3o do enredo desenvolvem-se momentos de descri\u00e7\u00f5es que assumem import\u00e2ncia na caracteriza\u00e7\u00e3o de personagens, objetos, cenas e situa\u00e7\u00f5es. As situa\u00e7\u00f5es apresentadas nos romances tradicionais costumam organizar-se com uma apresenta\u00e7\u00e3o, seguida de uma complica\u00e7\u00e3o que leva os fatos at\u00e9 um cl\u00edmax, ao qual se segue um ep\u00edlogo.&nbsp; O romance contempor\u00e2neo, ao contr\u00e1rio do romance que se fazia at\u00e9 o s\u00e9culo XIX, muitas vezes deixa de apresentar um cap\u00edtulo conclusivo, raz\u00e3o pela qual se chama romance aberto.<\/p>\n<p>As <strong>personagens<\/strong> d\u00e3o sentido \u00e0s a\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em a trama. Al\u00e9m do protagonista (personagem principal), das personagens secund\u00e1rias, deve-se destacar o narrador como elemento de fic\u00e7\u00e3o, criado pelo autor e respons\u00e1vel pela rela\u00e7\u00e3o com a coisa narrada segundo seu <strong>ponto de vista<\/strong>. Tamb\u00e9m o leitor virtual, o narrat\u00e1rio, \u00e9 personagem idealizada como aquele a quem se destina a narrativa.<\/p>\n<p>O <strong>tempo<\/strong> \u00e9 elemento sempre presente na narrativa, seja na organiza\u00e7\u00e3o formal em que os fatos se estruturam uns ap\u00f3s os outros, seja na elabora\u00e7\u00e3o dieg\u00e9tica (o enredo, a trama, tornados narrativa), ou, ainda, no tempo psicol\u00f3gico, no mon\u00f3logo interior, nos <em>flashes.<\/em><\/p>\n<p>O <strong>espa\u00e7o<\/strong> se constitui junto com o tempo como elemento ligado ao desenvolvimento do enredo. Pode aparecer como espa\u00e7o f\u00edsico ou espa\u00e7o psicol\u00f3gico e se prende diretamente \u00e0 a\u00e7\u00e3o das personagens.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> REIS, Carlos e LOPES, Ana Cristina M. <strong>Dicion\u00e1rio de teoria da narrativa<\/strong>. S\u00e9rie Fundamentos. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1988, p. 68.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> SOARES, Ang\u00e9lica. <strong>G\u00eaneros liter\u00e1rios<\/strong>. S\u00e9rie Princ\u00edpios. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1989, p.42.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O romance \u00e9 uma forma narrativa surgida na Idade M\u00e9dia, com os romances de cavalaria. 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