{"id":203,"date":"2019-03-29T09:54:23","date_gmt":"2019-03-29T12:54:23","guid":{"rendered":"http:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/?p=203"},"modified":"2019-03-29T09:54:23","modified_gmt":"2019-03-29T12:54:23","slug":"generos-descricao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/generos-descricao\/","title":{"rendered":"G\u00eaneros &#8211; Descri\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h1>G\u00eaneros<\/h1>\n<p>At\u00e9 aqui nos detivemos a observar o texto dissertativo. Vamos enriquecer um pouco mais nosso horizonte e olhar de perto outros g\u00eaneros que o dia a dia nos apresenta.<\/p>\n<h2>DESCRI\u00c7\u00c3O<\/h2>\n<p>A descri\u00e7\u00e3o \u00e9 <strong>um retrato verbal<\/strong>, ou seja, \u00e9 um retrato feito com o emprego de palavras \u2013 a descri\u00e7\u00e3o diz <strong>como os seres s\u00e3o<\/strong> (caracter\u00edsticas, elementos particularizantes, elementos constitutivos, etc.).<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O mundo que nos rodeia, com suas imagens, ru\u00eddos, perfumes e cores, mant\u00e9m nossos sentidos em aten\u00e7\u00e3o permanente. Nossa retina fixa e fotografa as diferentes formas de vida, selecionando as impress\u00f5es mais fortes e duradouras. A tecnologia permite aos homens registrar detalhes minuciosos da natureza e da cria\u00e7\u00e3o humana. Criar as mesmas impress\u00f5es com palavras, utilizando-as para pintar retratos exatos, eis o desafio que a descri\u00e7\u00e3o nos prop\u00f5e. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil! As descri\u00e7\u00f5es podem dizer respeito a aspectos f\u00edsicos, emocionais, psicol\u00f3gicos ou sociais dos indiv\u00edduos; podem retratar animais, ambientes, grupos humanos, cenas coletivas, com ou sem movimento. \u00c9 uma forma riqu\u00edssima de reda\u00e7\u00e3o e, quase sempre, vem dentro de narrativas ou de disserta\u00e7\u00f5es, esclarecendo ou refor\u00e7ando determinados aspectos por elas abordados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Veja algumas descri\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E aquilo se foi constituindo numa grande lavanderia, agitada e barulhenta, com as suas cercas de varal, as suas hortali\u00e7as verdejantes e os seus jardinzinhos de tr\u00eas e quatro palmos, que apareciam como manchas alegres por entre a negrura das limosas tinas transbordantes e o reverbero das claras barracas de algod\u00e3o cru, armadas sobre os lustrosos bancos de lavar. E os gotejantes jiraus, cobertos de roupa molhada, cintilavam ao sol, que nem lagos de metal branco.<\/em><\/p>\n<p>(Alu\u00edsio Azevedo, em <strong>O Corti\u00e7o<\/strong>, Cap\u00edtulo I)<\/p>\n<p>O texto acima descreve um ambiente coletivo. Pertence ao primeiro capitulo de um romance, logo, de uma narrativa. Trata-se, por\u00e9m, de uma parte essencialmente descritiva. Como voc\u00ea pode constatar, as diferentes formas de reda\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de suas peculiaridades, se enriquecem mutuamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tida por muitos como capaz de realizar prod\u00edgios, a uva \u00e9 uma das frutas mais ricas em vitaminas. Ela alimenta, desintoxica, contribui na repara\u00e7\u00e3o da estrutura do organismo, regenera o sangue, estimulando a forma\u00e7\u00e3o de gl\u00f3bulos, especialmente os vermelhos. E n\u00e3o engorda. Pode-se escolher e comer \u00e0 vontade. Como sobremesa, \u00e9 refrescante e digestiva.<\/em><\/p>\n<p><em>(Do\u00e7ura Oriental, <\/em>em <strong>Vida e Sa\u00fade<\/strong>, agosto 1997)<\/p>\n<p>Aqui a uva \u00e9 descrita em suas propriedades nutritivas. O par\u00e1grafo que voc\u00ea leu \u00e9 o par\u00e1grafo introdut\u00f3rio de uma disserta\u00e7\u00e3o. O recurso que o autor escolheu foi apontar, para depois analisar as propriedades da uva. Voc\u00ea pode, de novo, constatar como diferentes formas de reda\u00e7\u00e3o se auxiliam na composi\u00e7\u00e3o de um texto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Muro<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 um velho pared\u00e3o, todo gretado,<\/em><\/p>\n<p><em>Roto e negro, a que o tempo uma oferenda<\/em><\/p>\n<p><em>Deixou num cacto em flor ensanguentado<\/em><\/p>\n<p><em>E, num pouco de musgo em cada fenda.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Serve h\u00e1 muito de encerro a uma vivenda<\/em><\/p>\n<p><em>Proteg\u00ea-la e guard\u00e1-la \u00e9 seu cuidado;<\/em><\/p>\n<p><em>Talvez consigo esta miss\u00e3o compreenda<\/em><\/p>\n<p><em>Sempre em seu posto, firme e alevantado<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Horas mortas, a lua o v\u00e9u desata,<\/em><\/p>\n<p><em>E em cheio brilha; a solid\u00e3o estrela<\/em><\/p>\n<p><em>Toda de um vago cintilar de prata;<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E o velho muro, alta a parede nua,<\/em><\/p>\n<p><em>Olha em redor, espreita a sombra, e vela,<\/em><\/p>\n<p><em>Entre os beijos e l\u00e1grimas da lua.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um soneto do poeta parnasiano Alberto de Oliveira. Nele o poeta descreve um muro e a ambi\u00eancia que o cerca. Os detalhes s\u00e3o apontados numa linguagem que os representa e reveste de beleza. O quadro se revela ao leitor como se uma pintura fosse.<\/p>\n<p>Quem descreve destaca alguns aspectos e ignora outros. Esse cuidado e essa habilidade fazem com que o leitor se identifique com o escritor e siga a trilha por ele apontada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>G\u00eaneros At\u00e9 aqui nos detivemos a observar o texto dissertativo. Vamos enriquecer um pouco mais nosso horizonte e olhar de perto outros g\u00eaneros que o dia a dia nos apresenta. 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