{"id":178,"date":"2019-02-01T16:41:49","date_gmt":"2019-02-01T18:41:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/?p=178"},"modified":"2019-02-01T16:55:50","modified_gmt":"2019-02-01T18:55:50","slug":"coesao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/coesao\/","title":{"rendered":"Articula\u00e7\u00e3o do texto &#8211; Conhecendo um pouco mais"},"content":{"rendered":"<h1><span style=\"font-size: 24pt;\">Coes\u00e3o:\u00a0o que \u00e9<\/span><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>A <b>coes\u00e3o<\/b> diz respeito aos processos de sequencializa\u00e7\u00e3o que asseguram a rela\u00e7\u00e3o de significados entre as partes que comp\u00f5em um texto.<\/li>\n<li>Quando um texto apresenta <b>coes\u00e3o<\/b>, as ideias se ligam umas \u00e0s outras, formando um <span style=\"color: #ff6600;\"><b>fluxo l\u00f3gico e cont\u00ednuo<\/b><\/span>. Num texto coeso, a leitura se d\u00e1 com facilidade.<\/li>\n<\/ul>\n<p><!--more--><\/p>\n<h4>Coes\u00e3o apoiada no <span style=\"color: #ff6600;\"><b>l\u00e9xico<\/b><\/span><b>:<\/b> na escolha e emprego das palavras<\/h4>\n<p>A coes\u00e3o apoiada no l\u00e9xico pode se dar por meio de coes\u00e3o<\/p>\n<ol>\n<li>estabelecida por <b>reitera\u00e7\u00e3o (repeti\u00e7\u00e3o)<\/b><\/li>\n<li>estabelecida por <b>substitui\u00e7\u00e3o<\/b><\/li>\n<li>estabelecida por <b>associa\u00e7\u00e3o<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Coes\u00e3o estabelecida por reitera\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<blockquote><p>\u201cOs mecanismos de <b>repeti\u00e7\u00e3o<\/b> favorecem o desenvolvimento tem\u00e1tico, permitem um jogo regrado de retomadas a partir do qual se fixa um fio textual condutor.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">GUIMAR\u00c3ES, Elisa. A articula\u00e7\u00e3o do texto. S\u00e9rie Princ\u00edpios.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-size: 8pt;\">S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2000, p.24.<\/span><\/p>\n<h4><\/h4>\n<h4>Coes\u00e3o estabelecida por reitera\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<ul>\n<li>Garante-se a coes\u00e3o apoiada no l\u00e9xico com o emprego de enlaces sem\u00e2nticos de frases por meio da <strong>repeti\u00e7\u00e3o<\/strong>. A mensagem-tema do texto apoiada na conex\u00e3o de elementos l\u00e9xicos sucessivos pode dar-se por simples itera\u00e7\u00e3o (repeti\u00e7\u00e3o da palavra).<\/li>\n<li>Cabe, nesse caso, fazer-se a diferencia\u00e7\u00e3o entre a <strong>simples redund\u00e2ncia resultado da pobreza de vocabul\u00e1rio<\/strong> e o emprego de <strong>repeti\u00e7\u00f5es como recurso estil\u00edstico<\/strong>, com inten\u00e7\u00e3o articulat\u00f3ria.<\/li>\n<\/ul>\n<h4><\/h4>\n<h4>Coes\u00e3o estabelecida por <span style=\"color: #ff6600;\">reitera\u00e7\u00e3o\u00a0(ou itera\u00e7\u00e3o)<\/span> Exemplo<\/h4>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Um estudo<\/strong> realizado na Alemanha pode ajudar a derrubar a cren\u00e7a de que a frutose engorda menos que outros ado\u00e7antes. Experimentos feitos com roedores mostraram que as bebidas ado\u00e7adas com o chamado \u201ca\u00e7\u00facar das frutas\u201d podem provocar um maior ac\u00famulo de gordura no corpo do que aquelas ado\u00e7adas com a\u00e7\u00facar comum (sacarose). <strong>O estudo<\/strong> sugere ainda que o ganho de peso n\u00e3o depende unicamente da quantidade de calorias ingeridas, mas tamb\u00e9m da qualidade dos alimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/controlPanel\/materia\/view\/3533<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Coes\u00e3o apoiada na substitui\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p style=\"text-align: left;\">A <strong>substitui\u00e7\u00e3o l\u00e9xica<\/strong> se d\u00e1 tanto pelo emprego de <strong>sin\u00f4nimos<\/strong> como de <strong>palavras quase sin\u00f4nimas<\/strong>. Considerem-se aqui al\u00e9m das palavras sin\u00f4nimas, aquelas resultantes de fam\u00edlias ideol\u00f3gicas e do campo associativo, como, por exemplo, <em><strong>casa, domic\u00edlio, habita\u00e7\u00e3o, lar, mans\u00e3o morada, resid\u00eancia, teto, vivenda; <span style=\"color: #ff6600;\">esvoa\u00e7ar, revoar, voar<\/span><\/strong>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: 14pt;\">Substitui\u00e7\u00e3o l\u00e9xica:<\/span> aqui <strong>palavras quase sin\u00f4nimas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Na comemora\u00e7\u00e3o dos <strong>100 anos<\/strong> da primeira Revolu\u00e7\u00e3o Russa e do <strong>centen\u00e1rio<\/strong> da publica\u00e7\u00e3o de A \u00e9tica protestante e o &#8220;esp\u00edrito&#8221; do capitalismo, um dos mais importantes estudos do soci\u00f3logo alem\u00e3o Max Weber, o p\u00fablico brasileiro \u00e9 que foi agraciado. O livro <em>Estudos Pol\u00edticos \u2013 R\u00fassia 1905 e 1917,<\/em> publicado recentemente, traz tr\u00eas textos de Weber, at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9ditos no Brasil, nos quais o soci\u00f3logo faz uma an\u00e1lise do panorama pol\u00edtico que levou \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es russas.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/controlPanel\/materia\/view\/399\u00a0 \u00a0&#8211;\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 8pt;\">A Revolu\u00e7\u00e3o Russa segundo Max Weber &#8211;\u00a0\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 8pt;\">Colet\u00e2nea re\u00fane textos in\u00e9ditos do Brasil de um dos fundadores da sociologia<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Garante-se tamb\u00e9m a coes\u00e3o apoiada no l\u00e9xico com o emprego de<\/h4>\n<ul>\n<li style=\"text-align: left;\"><strong>nominaliza\u00e7\u00f5es<\/strong> (quando um fato, uma ocorr\u00eancia, aparece em forma de verbo e, mais adiante, reaparece como substantivo, ex.: <em><strong>consertar, o conserto; viajar, a viagem<\/strong><\/em>).<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Al\u00e9m da <strong>nominaliza\u00e7\u00e3o estrita<\/strong>, podemos fazer uso de <strong>generaliza\u00e7\u00f5es<\/strong> (ex.: <em><strong>o c\u00e3o &lt; o animal<\/strong><\/em>) e <strong>especifica\u00e7\u00f5es<\/strong> (ex.: <em><strong>planta &gt; \u00e1rvore &gt; palmeira<\/strong><\/em>).<\/li>\n<\/ul>\n<h4>Coes\u00e3o apoiada no l\u00e9xico:\u00a0exemplos<\/h4>\n<ul>\n<li>rela\u00e7\u00f5es de <strong>um termo espec\u00edfico<\/strong> com <strong>um termo de sentido geral<\/strong>, ex.: <em>gato, felino<\/em><\/li>\n<li>rela\u00e7\u00f5es de <strong>um termo de sentido mais amplo<\/strong> com outros <strong>de sentido mais espec\u00edfico<\/strong>, ex.:<em> felino, gato<\/em>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Emprego de <span style=\"color: #ff6600;\">generaliza\u00e7\u00e3o<\/span><\/h4>\n<p>Os experimentos, conduzidos por cientistas alem\u00e3es e norte-americanos, consistiram em alimentar <strong>ratos adultos<\/strong> com gr\u00e3os e diferentes tipos de bebida. <strong>Cada animal<\/strong> consumia diariamente o mesmo n\u00famero de calorias (cerca de 110 kcal). Aqueles que tomavam bebidas mais energ\u00e9ticas comiam menos ra\u00e7\u00e3o e vice-versa. <strong>Os animais<\/strong> foram divididos em quatro grupos, de acordo com o l\u00edquido tomado: solu\u00e7\u00e3o de \u00e1gua com frutose, de concentra\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 dos refrigerantes vendidos nos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/controlPanel\/materia\/view\/3533<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Rela\u00e7\u00f5es de um <span style=\"color: #ff6600;\">termo espec\u00edfico<\/span> com um <span style=\"color: #ff6600;\">termo de sentido geral<\/span><\/h4>\n<p>No primeiro dia da dieta, <strong>os ratos<\/strong> pesavam, em m\u00e9dia, 39 gramas. Ap\u00f3s 73 dias de alimenta\u00e7\u00e3o monitorada, <strong>os roedores<\/strong> foram pesados e submetidos a exames de sangue e de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, entre outros. Posteriormente, foram sacrificados para que seu f\u00edgado fosse analisado. Os resultados mostram que o grupo que bebeu a solu\u00e7\u00e3o concentrada de frutose apresentou um maior aumento de massa, chegando a engordar, em m\u00e9dia, nove gramas, enquanto os outros adquiriram menos de cinco.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/controlPanel\/materia\/view\/3533<\/span><\/p>\n<h4><\/h4>\n<h4>Rela\u00e7\u00f5es de um <span style=\"color: #ff6600;\">termo espec\u00edfico<\/span> com um <span style=\"color: #ff6600;\">termo de sentido geral<\/span><\/h4>\n<ul>\n<li>\u00a0Num artigo publicado h\u00e1 pouco mais de um ano na revista \u00ab<strong>Science<\/strong>\u00bb e divulgado <a href=\"http:\/\/cienciahoje.pt\/58\">aqui pelo<\/a> \u00ab<strong>Ci\u00eancia Hoje<\/strong>\u00bb dava-se a conhecer um prov\u00e1vel antepassado directo do g\u00eanero Homo, o <span style=\"color: #ff6600;\">australopiteco <em>Australopithecus sediba<\/em><\/span> que viveu h\u00e1 2 milh\u00f5es de anos na \u00c1frica. Os restos estudados correspondiam a uma mulher de aproximadamente 30 anos e a um menino de 10.<\/li>\n<li>Agora, a mesma revista publica cinco estudos diferentes em que s\u00e3o descritos novos pormenores da anatomia <strong>dessa esp\u00e9cie<\/strong>. As descobertas, dizem os especialistas, p\u00f5e mesmo em causa algumas teorias existentes sobre a evolu\u00e7\u00e3o humana.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/cienciahoje.pt\/58. Acesso em 10 de outubro de 2011<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Coes\u00e3o apoiada no l\u00e9xico com o emprego de <span style=\"color: #ff6600;\">Substitutos universais<\/span><\/h4>\n<ul>\n<li><em>Jo\u00e3o trabalha muito. Tamb\u00e9m o <strong>fa\u00e7o<\/strong>.<\/em> O verbo fazer em substitui\u00e7\u00e3o ao verbo trabalhar.<\/li>\n<li><em>Pedro comprou um carro novo. Jos\u00e9 <strong>tamb\u00e9m<\/strong><\/em>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Garante-se tamb\u00e9m a coes\u00e3o apoiada no l\u00e9xico<\/h4>\n<ul>\n<li>Com o emprego de <strong>enunciados que estabelecem a recapitula\u00e7\u00e3o da ideia global<\/strong>.<\/li>\n<li>\u00a0Todo um enunciado anterior e a ideia global que ele refere s\u00e3o retomados por outro enunciado que os resume e\/ou interpreta. Com esse recurso, evitam-se as repeti\u00e7\u00f5es e faz-se o discurso avan\u00e7ar, mantendo-se sua unidade.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Ex.: <em>Estavam no p\u00e1tio de uma fazenda <strong>sem vida<\/strong>. O curral <strong>deserto<\/strong>, o chiqueiro das cabras <strong>arruinado<\/strong> e tamb\u00e9m <strong>deserto<\/strong>, a casa do vaqueiro <strong>fechada<\/strong>, <span style=\"color: #ff6600;\">tudo<\/span> anunciava abandono.<\/em> (Observe a fun\u00e7\u00e3o da palavra <strong>tudo<\/strong>, abrangendo as informa\u00e7\u00f5es anteriores)<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 12 ed. S\u00e3o Paulo: Livraria Martins Editora, 1965, p.11.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Contiguidade<\/h4>\n<ul>\n<li style=\"text-align: left;\">\u00a0Ainda com apoio no l\u00e9xico, temos o emprego de <strong>termos pertencentes todos a um mesmo campo significativo<\/strong>. Isso \u00e9 o que chamamos contiguidade.<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Ex.: Houve um <span style=\"color: #ff6600;\">grande <strong><em>acidente<\/em><\/strong><\/span> na estrada. Dezenas de <span style=\"color: #ff6600;\"><em><strong>ambul\u00e2ncias<\/strong> <\/em><\/span>transportaram os <span style=\"color: #ff6600;\"><em><strong>feridos<\/strong> <\/em><\/span>para os <span style=\"color: #ff6600;\"><em><strong>hospitais<\/strong> <\/em><\/span>da cidade mais pr\u00f3xima.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Coes\u00e3o apoiada na <span style=\"color: #ff6600;\">gram\u00e1tica<\/span><\/h4>\n<p>Agora vamos nos voltar para a <span style=\"color: #ff6600;\">coes\u00e3o apoiada na gram\u00e1tica<\/span>. Essa coes\u00e3o se d\u00e1 no uso de:<\/p>\n<ul>\n<li>certos <strong>adv\u00e9rbios<\/strong> e <strong>express\u00f5es adverbiais<\/strong><\/li>\n<li><strong>artigos<\/strong><\/li>\n<li><strong>conjun\u00e7\u00f5es<\/strong><\/li>\n<li><strong>numerais<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<h4><\/h4>\n<h4>Coes\u00e3o apoiada na <span style=\"color: #ff6600;\">gram\u00e1tica<\/span><\/h4>\n<ul>\n<li>A coes\u00e3o gramatical acontece com o emprego de certos <strong>pronomes<\/strong> (pessoais, adjetivos ou substantivos).<\/li>\n<li>Destacam-se aqui os pronomes pessoais de terceira pessoa, empregados como substitutos de elementos anteriormente presentes no texto, diferentemente dos pronomes de 1\u00aa e 2\u00aa pessoa que se referem \u00e0 pessoa que fala e com quem esta fala.<br \/>\nEx.: <em>A ci\u00eancia s\u00f3 nos pode oferecer m\u00e9todos para explorar, organizar, explicar e testar problemas previamente escolhidos. <strong>Ela<\/strong> n\u00e3o pode dizer o que \u00e9 importante ou n\u00e3o<\/em>.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">ALVES, Rubem. Conversas com quem gosta de ensinar. S\u00e3o<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 8pt;\">Paulo: Ars Po\u00e9tica, 1995, p. 88.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Coes\u00e3o apoiada na <span style=\"color: #ff6600;\">gram\u00e1tica<\/span><\/h4>\n<p>Destacam-se tamb\u00e9m os elementos que exercem, por excel\u00eancia, essa fun\u00e7\u00e3o de progress\u00e3o textual, dada sua caracter\u00edstica: s\u00e3o elementos que n\u00e3o significam, apenas indicam, remetem aos componentes da situa\u00e7\u00e3o comunicativa.<br \/>\n<strong>Concord\u00e2ncias<\/strong><br \/>\n<strong>Correla\u00e7\u00e3o entre os tempos verbais<\/strong> (O uso correto dos tempos verbais garante a ordena\u00e7\u00e3o e a coes\u00e3o na apresenta\u00e7\u00e3o dos fatos e dos argumentos.)<\/p>\n<h4>Elisa Guimar\u00e3es ensina:<\/h4>\n<ul>\n<li>Os pronomes pessoais e as desin\u00eancias verbais indicam os participantes do ato do discurso.<\/li>\n<li>Os pronomes demonstrativos, certas locu\u00e7\u00f5es prepositivas e adverbiais, bem como os adv\u00e9rbios de tempo, referenciam o momento da enuncia\u00e7\u00e3o, podendo indicar <em>simultaneidade, anterioridade<\/em> ou <em>posterioridade<\/em>. Assim: <strong>este, agora, hoje, neste momento (presente); ultimamente, recentemente, ontem, h\u00e1 alguns dias, antes de (pret\u00e9rito); de agora em diante, no pr\u00f3ximo ano, depois de (futuro)<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>A coes\u00e3o apoiada na <span style=\"color: #ff6600;\">gram\u00e1tica<\/span> d\u00e1-se tamb\u00e9m com o uso de:<\/h4>\n<ul>\n<li><strong>elipses<\/strong>. A elipse se justifica quando, ao remeter a um enunciado anterior, a palavra elidida \u00e9 facilmente identific\u00e1velEx.: O jovem recolheu-se cedo. Sabia que precisava de repouso.O termo o jovem deixa de ser repetido e, assim, estabelece a rela\u00e7\u00e3o entre as duas ora\u00e7\u00f5es. \u00c9 a pr\u00f3pria aus\u00eancia do termo que marca a inter-rela\u00e7\u00e3o.A identifica\u00e7\u00e3o pode dar-se com o pr\u00f3prio enunciado, como no exemplo anterior, ou com elementos extraverbais, exteriores ao enunciado.<br \/>\nVejam-se os avisos em lugares p\u00fablicos (ex.: Perigo!) e as frases exclamativas, que remetem a uma situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o verbal. Nesse caso, a articula\u00e7\u00e3o se d\u00e1 entre texto e contexto (extratextual).<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>A <span style=\"color: #ff6600;\">conjun\u00e7\u00e3o<\/span> permite estabelecer rela\u00e7\u00f5es significativas entre as partes de um texto.<\/h4>\n<ul>\n<li>Destaque especial se d\u00e1 \u00e0s conjun\u00e7\u00f5es aditivas, adversativas, causais, temporais e \u00e0s que oferecem sentido continuativo.<br \/>\nEx.: Muito esfor\u00e7o se fez para preparar o semin\u00e1rio, <strong><em>mas<\/em> <\/strong>os resultados n\u00e3o foram os esperados.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>COES\u00c3O REFERENCIAL<\/h4>\n<blockquote><p>\u201cO referente se constr\u00f3i no desenrolar do texto, modificando-se a cada novo \u2018nome\u2019 que se lhe d\u00ea ou a cada ocorr\u00eancia do mesmo \u2018nome\u2019. Isto \u00e9, o referente \u00e9 algo que se (re)constr\u00f3i textualmente.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">(Ingedore Villa\u00e7a Koch, citando Blanche-Beneviste)<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\">Itaparica<\/span><br \/>\n(1)<em>Dona de uma luminosidade fant\u00e1stica<\/em> em seus 240 quil\u00f4metros quadrados, a ilha de Itaparica elegeu a liberdade como padr\u00e3o e fez da aventura uma experi\u00eancia que n\u00e3o tem hora para come\u00e7ar. (2)<em> Ali<\/em> tudo flui espontaneamente, desde que o sol nasce, anunciando mais um dia, at\u00e9 a noite chegar, com o luar refletindo no mar e as luzes de Salvador como pano de fundo. (3) De resto, <em>a ilha<\/em> funciona como um quebra-mar que protege todo o interior da Ba\u00eda de Todos os Santos. (4) \u00c9 a maior de <em>todas as 54<\/em> da regi\u00e3o \u2013 a Ilha-m\u00e3e, para melhor definir a geografia local. [&#8230;] Como toda localidade baiana que se preza,<em> a ilha<\/em> pratica ritos de antigas ra\u00edzes m\u00edsticas. (6) E <em>nisto <\/em>tamb\u00e9m \u00e9 singular. (7) <em>Ela<\/em> abriga o \u00fanico candombl\u00e9 do mundo consagrado aos eguns, nome atribu\u00eddo aos esp\u00edritos dos mortos.\u00a0(8) A tradi\u00e7\u00e3o <em>desse<\/em> culto foi herdada da na\u00e7\u00e3o Ketu e tem presen\u00e7a garantida, quatro vezes por ano, em suas cerim\u00f4nias mais importantes, de muitos africanos que v\u00eam especialmente de seus pa\u00edses para o evento. (9) <em>Nos cultos<\/em>, n\u00e3o \u00e9 permitida a entrada de n\u00e3o iniciados, a n\u00e3o ser com autoriza\u00e7\u00e3o de alguns sacerdotes egos, os \u00fanicos dotados de poder para manter os eguns afastados. (10) <em>Eles<\/em> usam varas brancas e compridas, para evitar que algum mal aconte\u00e7a aos que apenas v\u00e3o assistir aos rituais. (11) <em>Nessas ocasi\u00f5es<\/em>, uma vela deve ser reverenciada por todos antes das cerim\u00f4nias, colocada no alto do morro das amoreiras. [&#8230;]<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">(K\u00e1tia Sim\u00f5es, Shopping News, Caderno de Turismo, p. 10, 12\/03\/89)<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 8pt;\">NOTA: Texto trabalhado por Ingedore Villa\u00e7a Koch em A coes\u00e3o textual, Editora Contexto.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>COES\u00c3O SEQUENCIAL<\/h4>\n<p>\u2022 Na coes\u00e3o sequencial, a progress\u00e3o pode se fazer com ou sem elementos recorrentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>SEQUENCIA\u00c7\u00c3O com elementos de recorr\u00eancia (retomam-se os fatos, as informa\u00e7\u00f5es)<\/h4>\n<ul>\n<li><strong><em><span style=\"color: #ff6600;\">Era<\/span> <\/em><\/strong>uma aldeia de pescadores de onde a alegria <strong><em><span style=\"color: #ff6600;\">fugira<\/span> <span style=\"color: #ff0000;\">e<\/span><\/em><\/strong> os dias\u00a0<strong><em><span style=\"color: #ff0000;\">e<\/span><\/em><\/strong> as noites se <strong><em><span style=\"color: #ff6600;\">sucediam<\/span> <\/em><\/strong>numa <strong><em><span style=\"color: #ff6600;\">monotonia<\/span> <\/em><\/strong>sem fim, das mesmas coisas que aconteciam, <strong><em><span style=\"color: #ff6600;\">das mesmas coisas que se diziam, dos mesmos gestos que se faziam<\/span><\/em>,\u00a0<\/strong><strong><em><span style=\"color: #ff0000;\">e\u00a0<\/span><\/em><\/strong>os olhares eram tristes, ba\u00e7os peixes que j\u00e1 nada <span style=\"color: #ff6600;\"><em><strong>procuravam<\/strong><\/em><\/span>, por saberem in\u00fatil procurar qualquer coisa, <strong>os rostos vazios de sorrisos e de surpresas<\/strong>, a morte prematura morando no <span style=\"color: #ff6600;\"><em><strong>enfado<\/strong><\/em><\/span>, s\u00f3 as intermin\u00e1veis <span style=\"color: #ff6600;\"><strong><em>rotinas<\/em> <\/strong><\/span>do dia a dia, pris\u00e3o daqueles que se <span style=\"color: #ff6600;\"><em><strong>haviam condenado<\/strong><\/em><\/span> a si mesmos, sem esperan\u00e7as, nenhuma outra praia pra onde navegar&#8230;<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">(Rubem Alves, A aldeia que nunca mais foi a mesma. Texto utilizado por Ingedore Villa\u00e7a Koch em A coes\u00e3o textual)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: left;\">RECURSOS LINGU\u00cdSTICOS QUE SE DESTACAM NESSE TEXTO<\/h4>\n<ul>\n<li style=\"text-align: left;\">Extens\u00e3o do par\u00e1grafo<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Reitera\u00e7\u00e3o de termos que veiculam as ideias b\u00e1sicas<\/li>\n<li style=\"text-align: left;\">Reitera\u00e7\u00e3o de estruturas sint\u00e1ticas<\/li>\n<li>Reitera\u00e7\u00e3o do conectivo e<\/li>\n<li>Predomin\u00e2ncia de verbos no pret\u00e9rito imperfeito do indicativo<\/li>\n<li>Reitera\u00e7\u00e3o do conte\u00fado sem\u00e2ntico<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">SEQUENCIA\u00c7\u00c3O <span style=\"color: #ff6600;\">sem elementos recorrentes<\/span> (As informa\u00e7\u00f5es se voltam para a frente. H\u00e1 um continuum.)<\/p>\n<ul>\n<li>Todo jornalismo \u00e9 pol\u00edtico, no sentido amplo da palavra. <span style=\"color: #ff6600;\"><strong><em>Se<\/em><\/strong><\/span> pol\u00edtica \u00e9 a ci\u00eancia dos fen\u00f4menos relacionados com o Estado, <span style=\"color: #ff0000;\"><em><strong>e se<\/strong><\/em><\/span> o Estado \u00e9 a na\u00e7\u00e3o politicamente organizada, <span style=\"color: #ff0000;\"><strong><em>quando<\/em> <\/strong><\/span>um rep\u00f3rter escreve sobre qualquer fato ocorrido no pa\u00eds, <span style=\"color: #ff0000;\"><em><strong>mesmo<\/strong> <\/em><\/span>sobre um assassino no morro da Mangueira, est\u00e1 fazendo jornalismo pol\u00edtico. <strong><em><span style=\"color: #ff0000;\">Ainda que<\/span><\/em><\/strong> passional, um assassinato sempre envolver\u00e1 rela\u00e7\u00f5es entre indiv\u00edduos e autoridade. Vale a imagem para o esporte, <strong><em><span style=\"color: #ff0000;\">pois<\/span> <\/em><\/strong>ao reportar um jogo do Flamengo com o Vasco o jornalista estar\u00e1, <strong><em><span style=\"color: #ff0000;\">antes de mais nada<\/span><\/em><\/strong>, referindo-se a uma pr\u00e1tica regulada em leis, portarias e suced\u00e2neos, <span style=\"color: #ff0000;\"><em><strong>bem como<\/strong><\/em><\/span> a algo que apaixona a popula\u00e7\u00e3o inteira.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: 8pt;\">(Carlos Chagas, Arte e artes da cr\u00f4nica pol\u00edtica. Texto utilizado por Ingedore Villa\u00e7a Koch em A coes\u00e3o textual)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>MECANISMOS RESPONS\u00c1VEIS PELA\u00a0SEQUENCIA\u00c7\u00c3O<\/h4>\n<ul>\n<li>A progress\u00e3o se faz nesse texto por meio de sucessivos encadeamentos, assinalados por uma s\u00e9rie de marcas lingu\u00edsticas por meio das quais se estabelecem entre os enunciados que comp\u00f5em o texto, determinados tipos de rela\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>O fluxo de informa\u00e7\u00e3o se faz sem obst\u00e1culos e as ideias se sucedem com maior rapidez<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Coes\u00e3o impl\u00edcita<\/h4>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 a coes\u00e3o expl\u00edcita possibilita a compreens\u00e3o de um texto. Muitas vezes a comunica\u00e7\u00e3o se faz por meio de uma <strong><span style=\"color: #ff0000;\">coes\u00e3o impl\u00edcita<\/span><\/strong>, apoiada no conhecimento m\u00fatuo anterior que os participantes do processo comunicativo t\u00eam da l\u00edngua e\/ou da situa\u00e7\u00e3o mencionada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coes\u00e3o:\u00a0o que \u00e9 &nbsp; A coes\u00e3o diz respeito aos processos de sequencializa\u00e7\u00e3o que asseguram a rela\u00e7\u00e3o de significados entre as partes que comp\u00f5em um texto. Quando um texto apresenta coes\u00e3o, as ideias se ligam umas \u00e0s outras, formando um fluxo l\u00f3gico e cont\u00ednuo. Num texto coeso, a leitura se d\u00e1 com facilidade.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":179,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-178","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-elaboracao-do-texto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=178"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":187,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/178\/revisions\/187"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/media\/179"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=178"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=178"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=178"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}