{"id":137,"date":"2018-10-17T18:59:10","date_gmt":"2018-10-17T21:59:10","guid":{"rendered":"http:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/?p=137"},"modified":"2019-02-01T17:15:08","modified_gmt":"2019-02-01T19:15:08","slug":"137","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/137\/","title":{"rendered":"A organiza\u00e7\u00e3o do texto"},"content":{"rendered":"<p>A fala e tamb\u00e9m o texto escrito constituem-se n\u00e3o apenas numa sequ\u00eancia de palavras ou de frases. A sucess\u00e3o de coisas ditas ou escritas forma uma cadeia que vai muito al\u00e9m da simples sequencialidade: h\u00e1 um entrela\u00e7amento significativo que aproxima as partes formadoras do texto falado ou escrito. Os mecanismos lingu\u00edsticos que estabelecem a conectividade e a retomada e garantem a coes\u00e3o s\u00e3o os <strong>referentes textuais<\/strong>. Cada uma das coisas ditas estabelece rela\u00e7\u00f5es de sentido e significado tanto com os elementos que a antecedem como com os que a sucedem, construindo uma cadeia textual significativa.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Essa <strong>coes\u00e3o,<\/strong> que d\u00e1 unidade ao texto, vai-se construindo e se evidencia pelo emprego de diferentes procedimentos, tanto no campo do l\u00e9xico, como no da gram\u00e1tica. (N\u00e3o esque\u00e7amos que, num texto, n\u00e3o existem ou n\u00e3o deveriam existir elementos dispens\u00e1veis. Os elementos constitutivos v\u00e3o construindo o texto, e s\u00e3o as articula\u00e7\u00f5es entre voc\u00e1bulos, entre as partes de uma ora\u00e7\u00e3o, entre as ora\u00e7\u00f5es e entre os par\u00e1grafos que determinam a referencia\u00e7\u00e3o, os contatos e conex\u00f5es e estabelecem sentido ao todo.)<\/p>\n<p>Cuidados com a organiza\u00e7\u00e3o do texto<strong>,<\/strong> observadas a unidade, a coer\u00eancia, a clareza e a concis\u00e3o permitem que se perceba o texto como um todo bem articulado.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com a organiza\u00e7\u00e3o determina e orienta a estrutura de um texto em torno de uma ideia central. A forma de ordena\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m a combina\u00e7\u00e3o de formas de ordena\u00e7\u00e3o escolhidas se submetem a essa ideia central. \u00c9 preciso que se atente para a organiza\u00e7\u00e3o do texto no seu todo e em cada uma das partes.<\/p>\n<p>Assim, at\u00e9 mesmo a posi\u00e7\u00e3o dos termos dentro de uma ora\u00e7\u00e3o (ou a ordena\u00e7\u00e3o das ora\u00e7\u00f5es no per\u00edodo e no par\u00e1grafo) conduzir\u00e1 o leitor \u00e0 percep\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia maior ou menor de um fato ou de um argumento.<\/p>\n<p>Para ir buscar a cumplicidade do leitor, o redator emprega recursos que tamb\u00e9m usamos na fala, quando \u00e9 a emo\u00e7\u00e3o que determina a forma pela qual iniciamos um pensamento. Ningu\u00e9m diria numa hora de perigo iminente: \u201cGostaria que voc\u00ea me socorresse.\u201d Gritaria simplesmente: \u201cSocorro!\u201d Da mesma forma, havendo uma crian\u00e7a ca\u00eddo no rio, n\u00e3o dir\u00edamos: \u201cEu vi uma crian\u00e7a cair no rio.\u201d Avisar\u00edamos, aos berros: \u201cNo rio, no rio, uma crian\u00e7a!\u201d \u00c9 essa coisa instintiva, que nos leva a valorizar o mais urgente, que faz com que, ao redigirmos, coloquemos sempre a estrutura frasal a servi\u00e7o do objetivo do texto.<\/p>\n<p>O mesmo cuidado se encontra na disposi\u00e7\u00e3o dos per\u00edodos no par\u00e1grafo e dos par\u00e1grafos no todo do texto. Os pensamentos v\u00e3o-se organizando dentro de uma ordena\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 fiel ao que o autor deseja comunicar a seu leitor, mas tamb\u00e9m capaz de envolv\u00ea-lo na emo\u00e7\u00e3o da leitura.<\/p>\n<p>Necess\u00e1rio \u00e9 encontrarem-se as rela\u00e7\u00f5es do todo com cada uma das partes que o comp\u00f5em. \u00c9 esse encadeamento o elemento capaz de transformar em concatena\u00e7\u00e3o a cadeia de sucessividades.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com a unidade obriga a que todas as ideias contidas no texto se relacionem com a ideia central e sejam relevantes para sua apresenta\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. A sele\u00e7\u00e3o e a ordena\u00e7\u00e3o das ideias e dos par\u00e1grafos seguem uma ordem escolhida pelo autor com o objetivo de conduzir seu leitor dentro do todo que deseja apresentar. A sequ\u00eancia dos pontos apresentados e sua inter-rela\u00e7\u00e3o s\u00e3o acentuadas pela escolha de termos adequados para a transi\u00e7\u00e3o, estabelecendo, assim, coer\u00eancia interna ao texto.<\/p>\n<p>As ideias j\u00e1 abordadas s\u00e3o retomadas com o emprego dos referentes e das conex\u00f5es textuais que garantem coes\u00e3o e unidade do texto. Ao se construir, um texto vai construindo uma rede de informa\u00e7\u00f5es contextuais e de articula\u00e7\u00f5es que materializam para seu leitor o enunciado. Por interm\u00e9dio das palavras de que se constitui, o texto recria para seu leitor a realidade que o referencia. Conv\u00e9m que sejam destacadas, dentre os elementos referenciais considerados, as refer\u00eancias contidas no universo do discurso, ou seja, necess\u00e1rio \u00e9 considerarem-se as categorias constantes de contextos sint\u00e1ticos, morfol\u00f3gicos, gramaticais, que comp\u00f5em o universo do discurso e que, ao serem empregadas estabelecem refer\u00eancias e rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Considere-se, tamb\u00e9m, que o sentido de um texto n\u00e3o \u00e9 constru\u00eddo apenas por seu produtor, mas compartilhado com o leitor\/receptor, cujos conhecimentos s\u00e3o necess\u00e1rios para a interpreta\u00e7\u00e3o. Contando com essa participa\u00e7\u00e3o, com a capacidade de pressuposi\u00e7\u00e3o e infer\u00eancia de seu leitor, \u00e9 que o organizador do texto elabora sua rede de conceitos e rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A <strong>coer\u00eancia<\/strong> de um texto \u00e9 consequ\u00eancia de sua l\u00f3gica interna constru\u00edda na rela\u00e7\u00e3o entre os segmentos constitutivos do texto e entre cada um dos segmentos com seu todo. Essa interliga\u00e7\u00e3o significativa dos elementos constitutivos de um texto, entre si e em rela\u00e7\u00e3o ao todo, depende, em grande parte, da inten\u00e7\u00e3o de quem comunica, do plano mais amplo e geral anterior \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do texto.<\/p>\n<p>Segundo Elisa Guimar\u00e3es, a organiza\u00e7\u00e3o de um texto vale-se das rela\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas e das rela\u00e7\u00f5es de redund\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Enquanto as rela\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas s\u00e3o respons\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o do texto e por seu desenvolvimento, as rela\u00e7\u00f5es de redund\u00e2ncia responsabilizam-se pela fixa\u00e7\u00e3o do tema, na realiza\u00e7\u00e3o do texto, por meio da repeti\u00e7\u00e3o desse tema ou informa\u00e7\u00e3o fundamental (iteratividade). \u201c<em>Os mecanismos de repeti\u00e7\u00e3o favorecem o desenvolvimento tem\u00e1tico, permitem um jogo regrado de retomadas a partir do qual se fixa um fio textual condutor.<\/em>\u201d <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas e as rela\u00e7\u00f5es de redund\u00e2ncia se estabelecem por meio de uma rede de rela\u00e7\u00f5es em que um elemento anuncia o elemento subsequente e \u00e9, ao mesmo tempo, por ele determinado. Nessa inter-rela\u00e7\u00e3o que se estabelece delineia-se a configura\u00e7\u00e3o do texto e nela se desenham as partes que o constituem. Cabe ao leitor operar os reagrupamentos que permitir\u00e3o descortinar os elementos constitutivos e determinar seu sentido central.<\/p>\n<p>\u201c<em>E constata-se que o sentido do texto n\u00e3o se encerra nos limites de uma ou mesmo de v\u00e1rias unidades; antes, constr\u00f3i-se por seu jogo m\u00faltiplo e m\u00fatuo, resultando a coer\u00eancia do texto da sintonia entre as rela\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas e as rela\u00e7\u00f5es de redund\u00e2ncia.<\/em>\u201d <a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>A articula\u00e7\u00e3o de um texto, revelada pela presen\u00e7a das caracter\u00edsticas que o fazem um todo complexo e coerente, \u00e9 garantida pelas rela\u00e7\u00f5es das unidades textuais na composi\u00e7\u00e3o de sua estrutura. \u00c9 a rede de rela\u00e7\u00f5es que garante ao texto a coes\u00e3o e a unidade necess\u00e1rias a essa perfeita articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas intertextuais relacionam o texto com outros textos. Cria-se uma rede de inter-rela\u00e7\u00f5es em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura linear. Pr\u00e1tica comum, por exemplo, lembrada por Elisa Guimar\u00e3es, \u00e9 o emprego da <strong>cita\u00e7\u00e3o<\/strong>, que pode fazer-se em forma de:<\/p>\n<p><em>ilustra\u00e7\u00e3o<\/em> (fun\u00e7\u00e3o puramente enriquecedora e secund\u00e1ria);<\/p>\n<p><em>ep\u00edgrafe<\/em> (apresenta forte vincula\u00e7\u00e3o ao assunto desenvolvido no texto, representando muitas vezes o registro do tema do pr\u00f3prio texto);<\/p>\n<p><em>fun\u00e7\u00e3o conclusiva<\/em> (apresenta a s\u00edntese que traduz a obra).<\/p>\n<p>A cita\u00e7\u00e3o, ao efetuar a articula\u00e7\u00e3o do texto com outros textos e contextos, estabelece o <em>trabalho de assimila\u00e7\u00e3o<\/em>, que, juntamente com o de <em>transforma\u00e7\u00e3o<\/em>, apresenta-se como <em>ess\u00eancia da intertextualidade<\/em>. <a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o especial concentram os procedimentos que garantem ao texto <strong>coes\u00e3o<\/strong> e <strong>coer\u00eancia<\/strong>. S\u00e3o esses procedimentos que desenvolvem a din\u00e2mica articuladora e garantem a progress\u00e3o textual.<\/p>\n<p>A <strong>coes\u00e3o<\/strong> \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica da <strong>coer\u00eancia<\/strong> e se realiza nas rela\u00e7\u00f5es entre elementos sucessivos (artigos, pronomes adjetivos, adjetivos em rela\u00e7\u00e3o aos substantivos; formas verbais em rela\u00e7\u00e3o aos sujeitos; tempos verbais nas rela\u00e7\u00f5es espa\u00e7o-temporais constitutivas do texto etc.), na organiza\u00e7\u00e3o de per\u00edodos, de par\u00e1grafos, das partes do todo, como formadoras de uma cadeia de sentido capaz de apresentar e desenvolver um tema ou as unidades de um texto. Constru\u00edda com os mecanismos gramaticais e lexicais, confere unidade formal ao texto.<\/p>\n<ol>\n<li>Considere-se, inicialmente, a <strong>coes\u00e3o<\/strong> apoiada no <strong>l\u00e9xico<\/strong>. Ela pode dar-se pela <strong>reitera\u00e7\u00e3o<\/strong>, pela <strong>substitui\u00e7\u00e3o<\/strong> e pela <strong>associa\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 garantida com o emprego de:<\/p>\n<ul>\n<li>enlaces sem\u00e2nticos de frases por meio da <strong>repeti\u00e7\u00e3o<\/strong>. A mensagem-tema do texto apoiada na conex\u00e3o de elementos l\u00e9xicos sucessivos pode dar-se por simples itera\u00e7\u00e3o (repeti\u00e7\u00e3o). Cabe, nesse caso, fazer-se a diferencia\u00e7\u00e3o entre a simples redund\u00e2ncia resultado da pobreza de vocabul\u00e1rio e o emprego de repeti\u00e7\u00f5es como recurso estil\u00edstico, com inten\u00e7\u00e3o articulat\u00f3ria;<\/li>\n<li>substitui\u00e7\u00e3o l\u00e9xica, que se d\u00e1 tanto pelo emprego de <strong>sin\u00f4nimos<\/strong> como de <strong>palavras quase sin\u00f4nimas<\/strong>. Considerem-se aqui, al\u00e9m das palavras sin\u00f4nimas, aquelas resultantes de fam\u00edlias ideol\u00f3gicas e do campo associativo, como, por exemplo<em>, casa, domic\u00edlio, habita\u00e7\u00e3o, lar, mans\u00e3o morada, resid\u00eancia, teto, vivenda <\/em><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>; <em>esvoa\u00e7ar, revoar, voar<\/em>;<\/li>\n<li><strong>hip\u00f4nimos <\/strong>(rela\u00e7\u00f5es de um termo espec\u00edfico com um termo de sentido geral, ex.: <em>gato<\/em>,<em> felino<\/em>) e<strong> hiper\u00f4nimos <\/strong>(rela\u00e7\u00f5es de um termo de sentido mais amplo com outros de sentido mais espec\u00edfico, ex.: <em>felino, gato<\/em>);<\/li>\n<li><strong>nominaliza\u00e7\u00f5es <\/strong>(quando um fato, uma ocorr\u00eancia, aparece em forma de verbo e, mais adiante, reaparece como substantivo, ex.: <em>consertar<\/em>, <em>o conserto<\/em>; <em>viajar<\/em>, <em>a viagem<\/em>). \u00c9 preciso distinguir-se entre <em>nominaliza\u00e7\u00e3o estrita<\/em> <strong>generaliza\u00e7\u00f5es <\/strong>(ex.: <em>o c\u00e3o &lt; o animal<\/em>) e <strong>especifica\u00e7\u00f5es (<\/strong>ex.: <em>planta &gt; \u00e1rvore &gt; palmeira<\/em>);<\/li>\n<li><strong>substitutos universais (<\/strong>: <em>Jo\u00e3o trabalha muito. Tamb\u00e9m o <strong>fa\u00e7o<\/strong><\/em>. O verbo fazer em substitui\u00e7\u00e3o ao verbo trabalhar);<\/li>\n<li><strong>enunciados que estabelecem a recapitula\u00e7\u00e3o da ideia global.<\/strong> Esse enunciado \u00e9 chamado de <em>an\u00e1fora conceptual<\/em> <a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Todo um enunciado anterior e a ideia global que ele refere s\u00e3o retomados por outro enunciado que os resume e\/ou interpreta. Com esse recurso, evitam-se as repeti\u00e7\u00f5es e faz-se o discurso avan\u00e7ar, mantendo-se sua unidade: <em>Viagens, festas, homenagens, <strong>nada<\/strong> o interessava<\/em>.<\/li>\n<\/ul>\n<ol start=\"2\">\n<li>A <strong>coes\u00e3o<\/strong> apoiada na <strong>gram\u00e1tica <\/strong>d\u00e1-se no uso de:<\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li>certos <strong>pronomes<\/strong> (pessoais, adjetivos ou substantivos). Destacam-se aqui os pronomes pessoais de terceira pessoa, empregados como substitutos de elementos anteriormente presentes no texto, diferentemente dos pronomes de 1<sup>\u00aa<\/sup> e 2<sup>\u00aa<\/sup> pessoa que se referem \u00e0 pessoa que fala e com quem esta fala.<\/li>\n<li>certos <strong>adv\u00e9rbios <\/strong>e<strong> express\u00f5es adverbiais<\/strong>;<\/li>\n<li><strong>artigos<\/strong>;<\/li>\n<li><strong>conjun\u00e7\u00f5es<\/strong>;<\/li>\n<li><strong>numerais<\/strong>;<\/li>\n<li><strong>elipses<\/strong>. A elipse se justifica quando, ao remeter a um enunciado anterior, a palavra elidida \u00e9 facilmente identific\u00e1vel (Ex.: <em>O jovem recolheu-se cedo. &#8230; Sabia que ia necessitar de todas as suas for\u00e7as.<\/em> O termo <em>o jovem<\/em> deixa de ser repetido e, assim, estabelece a rela\u00e7\u00e3o entre as duas ora\u00e7\u00f5es.). \u00c9 a pr\u00f3pria aus\u00eancia do termo que marca a inter-rela\u00e7\u00e3o. A identifica\u00e7\u00e3o pode dar-se com o pr\u00f3prio enunciado, como no exemplo anterior, ou com elementos extraverbais, exteriores ao enunciado. Vejam-se os avisos em lugares p\u00fablicos (ex.: <em>Perigo!<\/em>) e as frases exclamativas, que remetem a uma situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o-verbal. Nesse caso, a articula\u00e7\u00e3o se d\u00e1 entre texto e contexto (extratextual);<\/li>\n<li><strong>as concord\u00e2ncias<\/strong>;<\/li>\n<li><strong>a correla\u00e7\u00e3o entre os tempos verbais<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Os d\u00eaiticos exercem, por excel\u00eancia, essa fun\u00e7\u00e3o de progress\u00e3o textual, dada sua caracter\u00edstica: s\u00e3o elementos que n\u00e3o significam, apenas indicam, remetem aos componentes da situa\u00e7\u00e3o comunicativa. J\u00e1 os componentes concentram em si a significa\u00e7\u00e3o. Referem os participantes do ato de comunica\u00e7\u00e3o, o momento e o lugar da enuncia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Elisa Guimar\u00e3es ensina a respeito dos d\u00eaiticos:<\/p>\n<p>Os pronomes pessoais e as desin\u00eancias verbais indicam os participantes do ato do discurso. Os pronomes demonstrativos, certas locu\u00e7\u00f5es prepositivas e adverbiais, bem como os adv\u00e9rbios de tempo, referenciam o momento da enuncia\u00e7\u00e3o, podendo indicar <em>simultaneidade<\/em>, <em>anterioridade<\/em> ou <em>posterioridade<\/em>. Assim: este, agora, hoje, neste momento (presente); ultimamente, recentemente, ontem, h\u00e1 alguns dias, antes de (pret\u00e9rito); de agora em diante, no pr\u00f3ximo ano, depois de (futuro). <a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>Maria da Gra\u00e7a Costa Val lembra que \u201c<em>esses recursos expressam rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 entre os elementos no interior de uma frase, mas tamb\u00e9m entre frases e sequ\u00eancias de frases dentro de um texto<\/em>\u201d <a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 a coes\u00e3o expl\u00edcita possibilita a compreens\u00e3o de um texto. Muitas vezes a comunica\u00e7\u00e3o se faz por meio de uma <strong>coes\u00e3o impl\u00edcita<\/strong>, apoiada no conhecimento m\u00fatuo anterior que os participantes do processo comunicativo t\u00eam da l\u00edngua.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> GUIMAR\u00c3ES, Elisa.<strong> A articula\u00e7\u00e3o do texto<\/strong>. S\u00e9rie Princ\u00edpios. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2000, p. 24.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Idem, ibidem, p. 25.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Idem, ibidem, p. 25.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> CUNHA, Celso. <strong>Manual de Portugu\u00eas<\/strong>, 3<sup>\u00aa<\/sup> e 4<sup>\u00aa<\/sup> s\u00e9ries. Rio: S\u00e3o Jos\u00e9, 1964, p. 166, apud GARCIA, Othon Moacyr. <strong>Comunica\u00e7\u00e3o em prosa moderna<\/strong>, 19 ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2000, p. 196.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> GUIMAR\u00c3ES, Elisa.<strong> A articula\u00e7\u00e3o do texto<\/strong>. S\u00e9rie Princ\u00edpios. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 2000, p. 32.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> GUIMAR\u00c3ES, Elisa. <strong>A articula\u00e7\u00e3o do texto<\/strong>. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, S\u00e9rie Princ\u00edpios, 8 ed., 2000, p.9-10.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> COSTA VAL, Maria da Gra\u00e7a. <strong>Reda\u00e7\u00e3o e textualidade<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2 ed.,1999, p.6.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fala e tamb\u00e9m o texto escrito constituem-se n\u00e3o apenas numa sequ\u00eancia de palavras ou de frases. A sucess\u00e3o de coisas ditas ou escritas forma uma cadeia que vai muito al\u00e9m da simples sequencialidade: h\u00e1 um entrela\u00e7amento significativo que aproxima as partes formadoras do texto falado ou escrito. Os mecanismos lingu\u00edsticos que estabelecem a conectividade.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":152,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-137","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-elaboracao-do-texto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=137"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":194,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/137\/revisions\/194"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/media\/152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=137"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=137"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=137"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}