{"id":115,"date":"2018-08-20T03:59:50","date_gmt":"2018-08-20T06:59:50","guid":{"rendered":"http:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/2018\/08\/20\/o-paragrafo-e-o-topico-frasal\/"},"modified":"2019-02-01T17:14:06","modified_gmt":"2019-02-01T19:14:06","slug":"o-paragrafo-e-o-topico-frasal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/elaboracao-do-texto\/o-paragrafo-e-o-topico-frasal\/","title":{"rendered":"O Par\u00e1grafo e o T\u00f3pico Frasal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O par\u00e1grafo \u00e9 uma unidade de composi\u00e7\u00e3o em que se desenvolve determinada ideia central, ou nuclear, a que se agregam outras, secund\u00e1rias, intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela. <span style=\"font-size: 8pt;\">Othon Moacyr Garcia<\/span><\/p>\n<h2>O par\u00e1grafo \u00e9 uma unidade de composi\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">O par\u00e1grafo n\u00e3o tem limite de tamanho, tem limite de abordagem. Nele s\u00f3 cabe uma abordagem do assunto desenvolvido.<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Aumentar <\/b><b>o pre\u00e7o dos\u00a0cigarros\u00a0para desestimular o\u00a0consumo\u00a0\u00e9 uma das principais estrat\u00e9gias para combater os\u00a0danos\u00a0causados <\/b><b>pelo tabaco<\/b>. Para conseguir esse efeito, os governos elevam os<b>\u00a0<\/b>impostos<b>\u00a0<\/b>cobrados pelo produto \u2013 uma medida que n\u00e3o costuma ser muito bem-vista entre a popula\u00e7\u00e3o e as empresas do setor, mas que estudos j\u00e1 mostraram ser altamente eficaz. Estima-se que 40 milh\u00f5es de pessoas deixariam de fumar se cada regi\u00e3o do mundo subisse, em m\u00e9dia, em 10% o pre\u00e7o de venda. \u00a0Agora, um novo estudo investigou implica\u00e7\u00f5es ainda mais profundas de tornar o cigarro mais caro: a pr\u00e1tica pode diminuir a\u00a0mortalidade infantil.\u00a0<span style=\"font-size: 8pt;\"><a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/saudehttp:\/epoca.globo.com\/saudehttp:\/epoca.globo.com\/saude\">http<\/a><a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/saudehttp:\/epoca.globo.com\/saudehttp:\/epoca.globo.com\/saude\">:\/\/epoca.globo.com\/saude<\/a>\u00a0 \u00a0Acesso em 22\/setembro\/2017<\/span><\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a composi\u00e7\u00e3o de um texto \u00e9 um conjunto de ideias associadas, cada par\u00e1grafo \u2013 em princ\u00edpio, pelo menos \u2013 deve corresponder a cada uma dessas ideias, tanto quanto elas (as ideias) correspondem \u00e0s diferentes partes em que o autor julgou conveniente dividir o assunto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A Unidade no Par\u00e1grafo<\/h2>\n<h2>Frase N\u00facleo ou T\u00f3pico Frasal<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem escreve determina a dire\u00e7\u00e3o que tomar\u00e1 o assunto, norteando o par\u00e1grafo e evitando que\u00a0 se disperse ou que seja truncado. Esse direcionamento comumente \u00e9 feito por meio da <b>frase-n\u00facleo<\/b>, tamb\u00e9m conhecida como\u00a0 <b>t\u00f3pico frasal<\/b>.<\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">A ora\u00e7\u00e3o t\u00f3pico \u00e9 auxiliada pelas outras ora\u00e7\u00f5es que desenvolvem o t\u00f3pico apresentado, vindo o conjunto a formar o par\u00e1grafo pretendido pelo escrevente\/redator.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Embora chamada de frase-n\u00facleo, pode aparecer sob forma de um conjunto de frases, que servem para garantir que o redator n\u00e3o se afastar\u00e1 do objetivo proposto para o par\u00e1grafo.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">\u00c9, normalmente, uma generaliza\u00e7\u00e3o, em que o redator expressa uma opini\u00e3o pessoal, um ju\u00edzo, em que define ou declara alguma coisa.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">A frase-n\u00facleo serve normalmente para introduzir o assunto, vindo como abertura do par\u00e1grafo.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Pode tamb\u00e9m representar uma s\u00edntese do par\u00e1grafo, funcionando verdadeiramente como sua conclus\u00e3o.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Alguns par\u00e1grafos dispensam o t\u00f3pico frasal (frase-n\u00facleo), diluindo a ideia central nos v\u00e1rios pensamentos que o comp\u00f5em.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A sobrevida do paciente em coma ou de pessoas com doen\u00e7as incur\u00e1veis gerou uma das mais pol\u00eamicas discuss\u00f5es \u00e9ticas da hist\u00f3ria da medicina.<\/b> H\u00e1 os que defendem a espera da morte em nome da vida e os que preferem encurtar a vida, optando pela morte digna ou morte anunciada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A legaliza\u00e7\u00e3o da eutan\u00e1sia \u00e9 tema de debate em v\u00e1rios estados americanos e em outros pa\u00edses do mundo<\/b>. No Brasil, o c\u00f3digo de \u00e9tica m\u00e9dica, em seu artigo 66, pro\u00edbe \u201cutilizar, em qualquer caso, meios destinados a abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido deste ou de seu respons\u00e1vel legal\u201d. Mas h\u00e1 quem admita, como a psiquiatra paulista Carmita Abdo, que \u201ca vida s\u00f3 vale se existir dignidade. Viver como um amontoado de \u00f3rg\u00e3os n\u00e3o \u00e9 vida\u201d.\u00a0\u00a0<span style=\"font-size: 8pt;\">Francisco Lemos, em <b>Vida e Sa\u00fade<\/b>,\u00a0 agosto 1997<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>T\u00f3pico frasal conclusivo<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os esquim\u00f3s t\u00eam diversos nomes para indicar a neve. Para eles, cada tipo de neve \u00e9 uma coisa diferente de outro tipo. Para os povos da floresta, cada mato tem um nome espec\u00edfico. Os habitantes dos desertos t\u00eam nomes diferentes para dizer &#8220;areia&#8221;, conforme as caracter\u00edsticas espec\u00edficas que ela apresenta. Para conviver com seu meio ambiente, cada povo desenvolve sua cultura com palavras distintas para diferenciar as sutilezas do seu mundo. <b>Quanto mais palavras distinguindo as coisas que as rodeiam, mais rica \u00e9 a cultura de uma popula\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/b><span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/revistalingua.uol.com.br\/textos.asp?codigo=11423<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>T\u00f3pico dilu\u00eddo no par\u00e1grafo<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1990, eu fabricava pulverizadores e motosserras para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Um dia, levei 20 equipamentos para teste de potenciais clientes no Esp\u00edrito Santo. Durante duas horas, minhas m\u00e1quinas derrubaram \u00e1rvores. A queda de um jacarand\u00e1 de 250 anos me fez parar. At\u00e9 hoje n\u00e3o esque\u00e7o o barulho daquela \u00e1rvore tombando. Foi uma vis\u00e3o impressionante. A partir da\u00ed, decidi que minhas inven\u00e7\u00f5es deveriam servir \u00e0 natureza e n\u00e3o destru\u00ed-la.\u00a0\u00a0<span style=\"font-size: 8pt;\"> Takeshi Imai, em depoimento a Fl\u00e1via Yuri. <b>\u00c9poca<\/b>, 18 de junho de 2012.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Resumindo<\/b>:<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Quem escreve se vale do t\u00f3pico frasal para apresentar a ideia central a ser tratada no par\u00e1grafo.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento dessa ideia central se faz nos per\u00edodos que a explicitam, podendo culminar num \u00faltimo pensamento \u2013 que apresenta o aspecto mais significativo da argumenta\u00e7\u00e3o e fecha o par\u00e1grafo.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Um bom t\u00f3pico frasal deve ser: claro e espec\u00edfico e, dependendo da abordagem escolhida pelo redator, tamb\u00e9m detalhado.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Um t\u00f3pico frasal obscuro \u00e9 in\u00fatil; no momento em que o leitor n\u00e3o consegue\u00a0 distinguir qual ser\u00e1 a ideia\u00a0 central do par\u00e1grafo simplesmente lendo o t\u00f3pico frasal, este perdeu sua finalidade.Exemplos:<b><br \/>\n<\/b><b>T\u00f3pico frasal obscuro<\/b>: <i>A televis\u00e3o \u00e9 prejudicial.<br \/>\n<\/i><b>Claro<\/b>: <i>Devido a seu pr\u00f3prio fim, a televis\u00e3o comercial estimula o consumismo<\/i>.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Um t\u00f3pico frasal n\u00e3o pode ser t\u00e3o amplo ou t\u00e3o gen\u00e9rico que exija um ensaio inteiro para explor\u00e1-lo.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">O detalhamento permite ao redator apresentar um t\u00f3pico frasal capaz de representar um plano para o par\u00e1grafo, apontando para todos os aspectos que ali ser\u00e3o abordados.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">A linguagem \u00e9 tanto mais clara, precisa e pitoresca quanto mais espec\u00edfica e concreta. Generaliza\u00e7\u00f5es e abstra\u00e7\u00f5es tornam confusas as ideias, traduzem conceitos vagos e imprecisos.<\/li>\n<\/ol>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Modos de iniciar o par\u00e1grafo<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">In\u00fameras formas h\u00e1 para iniciar um par\u00e1grafo, pois tudo depende das ideias que inicialmente se imponham ao esp\u00edrito do escritor, das associa\u00e7\u00f5es impl\u00edcitas ou expl\u00edcitas, da ordem natural do pensamento.<\/p>\n<p>Podem ser mencionadas:<\/p>\n<ul>\n<li>Alus\u00f5es hist\u00f3ricas<\/li>\n<li>Omiss\u00e3o de dados, embora o assunto seja enfocado, para despertar a aten\u00e7\u00e3o do leitor<\/li>\n<li>Interroga\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Declara\u00e7\u00e3o inicial<\/li>\n<li>Defini\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Divis\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n<h4><b>Declara\u00e7\u00e3o inicial<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Timidez n\u00e3o \u00e9 doen\u00e7a, e sim estilo, refor\u00e7a a psicanalista Norma <\/b><b>Semer<\/b>. Segundo ela, o t\u00edmido ainda leva uma vantagem em rela\u00e7\u00e3o aos desinibidos: ele pensa bem antes de decidir, \u00e9 mais cuidadoso. &#8220;Agir sem pensar \u00e9 um perigo. Leva a uma falta de considera\u00e7\u00e3o pelo outro e pela realidade.&#8221;<br \/>\n<span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/988300-timidez-tambem-tem-suas-vantagens-dizem-especialistas.shtml<\/span><\/p>\n<h4><b>Defini\u00e7\u00e3o<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Estilo \u00e9 a express\u00e3o liter\u00e1ria de <\/b><b>ideias<\/b><b> ou sentimentos. <\/b>Resulta de um conjunto de dotes externos ou internos, que se fundem num todo harm\u00f4nico e se manifestam por modalidades de express\u00e3o a que se d\u00e1 o nome de figuras.\u00a0 <span style=\"font-size: 8pt;\">Augusto Magne<\/span><\/p>\n<h4><b>Divis\u00e3o<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto bem produzido \u00e9, na verdade, uma estrutura organizada e bem equilibrada entre estas tr\u00eas etapas: <b>etapa intertextual<\/b>, <b>etapa contextual<\/b> ou pragm\u00e1tica e <b>etapa textual<\/b>. Ele dever\u00e1 refletir o lastro cultural do escritor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ideias expostas sobre o tema (rela\u00e7\u00f5es intertextuais). Dever\u00e1 conter as cren\u00e7as e valores sobre o que o escritor defende ou critica, para atuar nos leitores de forma adequada (rela\u00e7\u00f5es contextuais). Por \u00faltimo, dever\u00e1 ser bem produzido linguisticamente, observando a boa constru\u00e7\u00e3o sint\u00e1tica, a riqueza e pertin\u00eancia vocabular, a corre\u00e7\u00e3o gramatical e o estilo (rela\u00e7\u00f5es textuais). <span style=\"font-size: 8pt;\">Carvalho &amp; Souza. <i>Compreens\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de textos<\/i><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>Modos de desenvolver o par\u00e1grafo<\/b><\/h3>\n<ul>\n<li>Enumera\u00e7\u00e3o ou descri\u00e7\u00e3o de detalhes<\/li>\n<li>Paralelo apoiado no contraste (nas diferen\u00e7as)<\/li>\n<li>Paralelo apoiado nas semelhan\u00e7as<\/li>\n<li>Simples paralelo<\/li>\n<li>Compara\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Analogia<\/li>\n<li>Tempo<\/li>\n<li>Espa\u00e7o<\/li>\n<li>Causa\/efeito-Motivo\/consequ\u00eancia<\/li>\n<li>Ideias em cadeia<\/li>\n<li>Defini\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Exemplifica\u00e7\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n<h4><b>Enumera\u00e7\u00e3o<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Quatro fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas t\u00eam sido convencionalmente atribu\u00eddas aos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa: informar, divertir, persuadir e ensinar <\/b>[t\u00f3pico frasal]. <b>A primeira<\/b> diz respeito \u00e0 difus\u00e3o de not\u00edcias, relatos, coment\u00e1rios etc. sobre a realidade, acompanhada, ou n\u00e3o, de interpreta\u00e7\u00f5es ou explica\u00e7\u00f5es. <b>A segunda<\/b> <b>fun\u00e7\u00e3o<\/b> atende \u00e0 procura de distra\u00e7\u00e3o, de evas\u00e3o, de divertimento, por parte do p\u00fablico. <b>Uma terceira fun\u00e7\u00e3o<\/b> \u00e9 persuadir o indiv\u00edduo \u2013 convenc\u00ea-lo a adquirir certo produto, a votar em certo candidato, a se comportar de acordo com os desejos de um anunciante. <b>A quarta fun\u00e7\u00e3o<\/b> \u2013 ensinar \u2013 \u00e9 realizada de modo indireto ou direto, intencional ou n\u00e3o, por meio de material que contribui para a forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo ou para ampliar seu acervo de conhecimentos, planos, destrezas etc. <span style=\"font-size: 8pt;\">Samuel Pfromm Netto\u00a0<b>Comunica\u00e7\u00e3o <\/b><b>de <\/b><b>massa<\/b><\/span><\/p>\n<h4><b>Paralelo apoiado no contraste (nas diferen\u00e7as)<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Pol\u00edtica e politicalha n\u00e3o se confundem, n\u00e3o se parecem, n\u00e3o se relacionam uma com a outra. Antes se negam, se excluem, se repulsam mutuamente <\/b>[t\u00f3pico frasal]. A pol\u00edtica \u00e9 a arte de gerir o Estado, segundo princ\u00edpios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradi\u00e7\u00f5es respeit\u00e1veis. A politicalha \u00e9 a ind\u00fastria de o explorar a benef\u00edcio de interesses pessoais.[&#8230;] A pol\u00edtica \u00e9 a higiene dos pa\u00edses moralmente sadios. A politicalha, a mal\u00e1ria dos povos de moralidade estragada.\u00a0<span style=\"font-size: 8pt;\">Rui Barbosa<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>N\u00e3o se pode imaginar contraste mais violento do que o existente entre as duas regi\u00f5es.\u00a0 De um lado<\/b>, a terra escura, pegajosa, \u00famida, cavada de sulcos ou embebida de \u00e1gua, com \u00e1rvores frut\u00edferas, mangueiras, laranjeiras, canaviais, rios limosos. <b>De outro lado<\/b>, um caos de pedras cinzentas cravadas em desordem no ch\u00e3o de argila seca, rachado pelo sol, e vastas extens\u00f5es de areia ardente. <b>No litoral<\/b>, a riqueza da vegeta\u00e7\u00e3o exuberante, de um verde quase negro, com ra\u00edzes mergulhadas nos p\u00e2ntanos e o cimo muitas vezes coroado de brumas matinais \u2013 plantas que arrebentam de seiva, de mel, de perfumes. <b>No sert\u00e3o<\/b>, a caatinga, como lhe chamavam os \u00edndios, com uma vegeta\u00e7\u00e3o de cactos, de moitas espinhosas, de ervas raqu\u00edticas, amarelas, calcinadas, de \u00e1rvores esquel\u00e9ticas com folhas raivosamente eri\u00e7adas, transformadas em espinhos ou arestas, de \u00e1rvores ventrudas que s\u00e3o como odres para reter sob a casca rugosa a maior quantidade poss\u00edvel da mesquinha \u00e1gua da chuva. \u00c0 <b>paisagem voluptuosa<\/b> da cana-de-a\u00e7\u00facar, em que tudo \u00e9 tenta\u00e7\u00e3o de vadiar, de dormir, de sonhar, de amar, op\u00f5e-se esta <b>paisagem dura, angulosa, tr\u00e1gica<\/b>.\u00a0<span style=\"font-size: 8pt;\">Roger Bastide\u00a0 &#8211; Brasil \u2013\u00a0 terra de contrastes<\/span><\/p>\n<h4><b>Simples Paralelo<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Ora\u00e7\u00e3o e trabalho s\u00e3o os recursos mais poderosos na cria\u00e7\u00e3o moral do homem. <\/b>A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u00edntimo sublimar-se da alma pelo contato com Deus. O trabalho \u00e9 o inteirar, o desenvolver, o apurar das energias do corpo e do esp\u00edrito, mediante a a\u00e7\u00e3o cont\u00ednua sobre si mesmos e sobre o mundo onde labutamos.\u00a0<span style=\"font-size: 8pt;\">Rui Barbosa<\/span><\/p>\n<h4><b>Compara\u00e7\u00e3o<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <b>compara\u00e7\u00e3o<\/b> aponta para semelhan\u00e7as reais, sens\u00edveis, expressas numa forma verbal pr\u00f3pria (como, tal qual, tanto&#8230;quanto; parece, lembra, assemelha-se).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Met\u00e1fora e compara\u00e7\u00e3o s\u00e3o de tal forma parecidas que alguns especialistas classificam exemplos de met\u00e1fora como &#8220;compara\u00e7\u00e3o impl\u00edcita&#8221; (porque n\u00e3o apresenta o elemento de conex\u00e3o caracter\u00edstico da compara\u00e7\u00e3o) e os exemplos de compara\u00e7\u00e3o como &#8220;compara\u00e7\u00e3o expl\u00edcita&#8221;.<br \/>\n<span style=\"font-size: 8pt;\">https:\/\/www.significados.com.br\/metafora-e-comparacao<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A ind\u00fastria do petr\u00f3leo estruturou e revolucionou a economia global no s\u00e9culo 20<\/b>. Foi uma b\u00ean\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para os pa\u00edses que dispunham desse recurso natural em abund\u00e2ncia \u2013 um motor de crescimento. Junto com ela, contudo, vieram efeitos perversos: 1) alimentou regimes autocr\u00e1ticos e corruptos, inviabilizou democracias e criou fatores de permanente instabilidade; 2) produziu degrada\u00e7\u00e3o ambiental por meio da emiss\u00e3o de carbono, protagonizando a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Em ambos os vetores, conduziu a uma maci\u00e7a viola\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, em especial das popula\u00e7\u00f5es mais miser\u00e1veis. De b\u00ean\u00e7\u00e3o, transformou-se em maldi\u00e7\u00e3o.\u00a0<span style=\"font-size: 8pt;\">Conrado H\u00fcbner Mendes. <i>Filosofia pol\u00edtica e as urg\u00eancias do mundo real<\/i>. <b>Quatro cinco um<\/b>, setembro 2017<\/span><\/p>\n<h4><b>Analogia<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escorra\u00e7ada de toda parte, vivendo sempre esfomeada, tendo que subsistir sem morada certa, apunhalada aqui, estrangulada ali, n\u00e3o desejada em verdade a n\u00e3o ser por uns poucos e loucos humanistas e revolucion\u00e1rios atrav\u00e9s da hist\u00f3ria, \u00e9 rid\u00edculo se representar a liberdade como uma mulher bela, um facho eternamente aceso na m\u00e3o, os tra\u00e7os finos, a fisionomia tranquila e altiva. <b>A liberdade \u00e9 um cachorro vira-lata<\/b><b>.\u00a0<\/b><span style=\"font-size: 8pt;\">Mill\u00f4r Fernandes &#8211; livro vermelho dos pensamentos de Mill\u00f4r<\/span><\/p>\n<h4><b>Tempo<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O in\u00edcio institucional se deu em 1987: num estival domingo de Bras\u00edlia, 559 parlamentares investidos do Poder Constituinte reuniram-se\u00a0 no plen\u00e1rio do Congresso Nacional para elaborar o documento que consagraria uma nova ordem pol\u00edtica no Pa\u00eds. O desfecho s\u00f3 se daria 583 dias depois, num dos mais complexos e tortuosos processos constituintes de que se tem not\u00edcia. Mas a Constitui\u00e7\u00e3o de 88, como produto final de uma odisseia \u2013 foi por acaso comandada por um Ulysses \u2013, demarcou um projeto civilizat\u00f3rio sem precedentes no Brasil.\u00a0<span style=\"font-size: 8pt;\">\u00a0 Ant\u00f4nio S\u00e9rgio Rocha. <i>A Rep\u00fablica de 88<\/i>.<b> Quatro cinco um<\/b>, setembro 2017.<\/span><\/p>\n<h4><b>Espa\u00e7o<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O povoamento do sul do Brasil processou-se de dois modos diferentes:<\/b> <b>no litoral<\/b>, pela vinda de colonos a\u00e7orianos, que chegavam com algumas ferramentas, sementes, um pouco de dinheiro; <b>no interior<\/b>, pela chegada de fam\u00edlias paulistas, que seguiam o caminho do altiplano. O duplo aspecto do povoamento dar\u00e1 lugar a dois tipos de sociedade e dois tipos de economia.\u00a0<span style=\"font-size: 8pt;\">Roger Bastide &#8211; Brasil: terra de contrastes<\/span><\/p>\n<h4><b>Causa\/efeito-Motivo\/consequ\u00eancia<\/b><\/h4>\n<ul>\n<li>Os fatos ou fen\u00f4menos f\u00edsicos t\u00eam <b>causa<\/b> e <b>efeito<\/b> (al\u00e9m das ci\u00eancias matem\u00e1ticas e das ci\u00eancias f\u00edsico-qu\u00edmicas, tamb\u00e9m as ci\u00eancias sociais se valem da palavra <b>causa <\/b>para explicar os fatos);<\/li>\n<li>Os atos ou atitudes praticados ou assumidos pelos homens t\u00eam raz\u00f5es, <b>motivos<\/b>, explica\u00e7\u00f5es e <b>consequ\u00eancias<\/b>, resultados.<\/li>\n<li>\u00c9 preciso n\u00e3o confundi-los, como tamb\u00e9m n\u00e3o confundir <b>causa<\/b> e <b>efeito<\/b>.<\/li>\n<\/ul>\n<h4><b>Causa\/efeito\u00a0<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<b>aquecimento global<\/b>\u00a0designa o aumento das temperaturas m\u00e9dias do planeta ao longo dos \u00faltimos tempos, o que, em tese, \u00e9 causado pelas pr\u00e1ticas humanas \u2013 embora existam discord\u00e2ncias quanto a isso no campo cient\u00edfico. A principal causa desse problema clim\u00e1tico que afeta todo o planeta \u00e9 a\u00a0<b>intensifica\u00e7\u00e3o do\u00a0<\/b>efeito estufa, fen\u00f4meno natural respons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o do calor na Terra e que vem apresentando uma maior intensidade em raz\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o do ar resultante das pr\u00e1ticas humanas.\u00a0\u00a0 <span style=\"font-size: 8pt;\">http:\/\/brasilescola.uol.com.br\/geografia\/aquecimento-global.htm<\/span><\/p>\n<h4><b>Motivo &#8211; Raz\u00e3o\/consequ\u00eancia<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00c9 comum encontrar-se na imprensa brasileira elevado n\u00famero de voc\u00e1bulos ingleses (principalmente), alem\u00e3es, espanh\u00f3is, russos, latinos e franceses . <\/b>As raz\u00f5es da frequ\u00eancia desses voc\u00e1bulos nas diversas se\u00e7\u00f5es do jornal s\u00e3o as mais variadas poss\u00edveis. Dentre elas, Zdenek Hampjs cita a falta do termo vern\u00e1culo, o seu desconhecimento por parte do jornalista, a tend\u00eancia ao esnobismo (vide coluna social) ou, ainda, a tentativa de imprimir a cor local, ou seja, o ambiente t\u00edpico do pa\u00eds a que a not\u00edcia se refere. <span style=\"font-size: 8pt;\">Adaptado de texto de Maria do Carmo L. de O. Fern\u00e1ndez &#8211; Futebol \u2013 fen\u00f4meno lingu\u00edstico<\/span><\/p>\n<h4><b>Divis\u00e3o<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A voca\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria \u00e9 sempre concreta<\/b>. Manifesta-se como tend\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 atitude geral, mas ainda a este ou \u00e0quele g\u00eanero de atitude. Entre as in\u00fameras posi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis (e neste terreno as classifica\u00e7\u00f5es chegam \u00e0s maiores min\u00facias), h\u00e1 cinco a marcar bem nitidamente inclina\u00e7\u00f5es diferentes do g\u00eanio criador \u2013 o lirismo, a epopeia, o drama, a cr\u00edtica, a s\u00e1tira. O lirismo \u00e9 a express\u00e3o da pr\u00f3pria alma. A epopeia, a representa\u00e7\u00e3o narrativa da vida. O drama, a representa\u00e7\u00e3o ativa dela. A cr\u00edtica, o ju\u00edzo sobre a cria\u00e7\u00e3o feita. E a s\u00e1tira, a caricatura dos caracteres.\u00a0<span style=\"font-size: 8pt;\">Alceu Amoroso Lima &#8211; Est\u00e9tica liter\u00e1ria<\/span><\/p>\n<h4><b>Defini\u00e7\u00e3o<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O humor, numa concep\u00e7\u00e3o mais exigente, n\u00e3o \u00e9 apenas a arte de fazer rir. <\/b>Isso \u00e9 comicidade, ou qualquer outro nome que se escolha. Na verdade, humor \u00e9 uma an\u00e1lise cr\u00edtica do homem e da vida. Uma an\u00e1lise n\u00e3o obrigatoriamente comprometida com o riso, uma an\u00e1lise desmistificadora, reveladora, c\u00e1ustica. Humor \u00e9 uma forma de tirar a roupa da mentira, e o seu \u00eaxito est\u00e1 na alegria que ele provoca pela descoberta inesperada da verdade.\u00a0<span style=\"font-size: 8pt;\">Ziraldo &#8211; Entrevista publicada na revista Veja \u2013 31-12-69<\/span><\/p>\n<h4><b>Ideias em cadeia<\/b><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Na Universidade tudo pode virar tese, tudo \u00e9 potencialmente assunto para uma tese ou para um projeto de tese<\/b>. Voc\u00ea caminha pelo campus e pode at\u00e9 sentir as ideias crepitando como madeira fresca no forno a lenha. Para o bem ou para o mal, \u00e9 verdade, pois nem sempre a qualidade e o rigor cient\u00edficos caminham de m\u00e3os dadas com tamanha efervesc\u00eancia intelectual. <span style=\"font-size: 8pt;\">Jo\u00e3o Paulo Lotufo\u00a0<u><a href=\"http:\/\/jornal.usp.br\/\">http:\/\/jornal.usp.br\/<\/a><\/u>, em 21\/setembro\/2017<\/span><\/p>\n<h4><b>Exemplifica\u00e7\u00e3o<\/b><\/h4>\n<p><b>H\u00e1, da parte dos produtores de tev\u00ea, o eterno desejo de atender \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es do p\u00fablico<\/b>. Se descobrem, por exemplo, que o trivial dom\u00e9stico agrada aos telespectadores de novelas, logo constroem cen\u00e1rios em torno da cozinha ou da copa. Tal personagem deveria morrer no fim da hist\u00f3ria, de acordo com o <i>script<\/i> mas contra a vontade do p\u00fablico? Simples, muda-se o <i>script<\/i> e se assegura a vida do her\u00f3i. <span style=\"font-size: 8pt;\">Muniz Sodr\u00e9 &#8211; A comunica\u00e7\u00e3o do grotesco<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A discuss\u00e3o aqui apresentada baseia-se em textos de Othon Moacyr Garcia (<b>Comunica\u00e7\u00e3o em prosa moderna<\/b>) e Claudio Moreno e Paulo Coimbra Guedes (<b>Curso b\u00e1sico de reda\u00e7\u00e3o<\/b>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O par\u00e1grafo \u00e9 uma unidade de composi\u00e7\u00e3o em que se desenvolve determinada ideia central, ou nuclear, a que se agregam outras, secund\u00e1rias, intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela. Othon Moacyr Garcia O par\u00e1grafo \u00e9 uma unidade de composi\u00e7\u00e3o O par\u00e1grafo n\u00e3o tem limite de tamanho, tem limite de abordagem. 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