{"id":26,"date":"2018-08-08T04:45:13","date_gmt":"2018-08-08T07:45:13","guid":{"rendered":"http:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas2\/2018\/08\/08\/8-pares\/"},"modified":"2018-08-08T04:45:13","modified_gmt":"2018-08-08T07:45:13","slug":"8-pares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/8-pares\/","title":{"rendered":"8 . Pares"},"content":{"rendered":"<p>Redes sociais, televisivas, revistas, jornais, grupos virtuais, todos discutem a igualdade de g\u00eanero, a constru\u00e7\u00e3o de identidade, o respeito \u00e0s escolhas sexuais.<\/p>\n<p>Eu, por\u00e9m, acho que a discuss\u00e3o deveria ser outra: dever\u00edamos discutir os pares, n\u00e3o importando os g\u00eaneros que os estabelecem.<\/p>\n<p>As d\u00favidas, medos, ci\u00fames, submiss\u00f5es se fazem tanto em pares h\u00e9tero como em pares homossexuais: a submiss\u00e3o ao sexo implicando tamb\u00e9m a submiss\u00e3o da vida, da vontade, do pensamento, a luta pela igualdade desaparecendo entre as quatro paredes. Conheci um casal homo em que um deles exercia o tradicional e t\u00e3o questionado papel feminino \u2013 permanecendo em casa a cozinhar, limpar, lavar, passar \u2013, enquanto seu parceiro sa\u00eda para trabalhar.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ainda \u00e0 submiss\u00e3o, observo que as rela\u00e7\u00f5es se deterioram em fun\u00e7\u00e3o de uma causa \u00fanica: o desrespeito \u00e0 individualidade do outro, a\u00ed inclu\u00eddas as aus\u00eancias e as omiss\u00f5es. As m\u00e1goas mais fundas se instalam, n\u00e3o por uma ofensa real, determinada, mas pela ironia, pela nega\u00e7\u00e3o daquilo que o outro \u00e9 ou representa.<\/p>\n<p>Passado o encanto inicial, come\u00e7a o processo de am\u00e1lgama: <em>o outro sou eu, eu sou o outro; almas g\u00eameas; meu espelho; metade que me completa.<\/em> Como se isso fosse poss\u00edvel! Ningu\u00e9m \u00e9 metade de outro algu\u00e9m. Somos todos inteiros, sujeitos de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>As decis\u00f5es tomadas isoladamente para serem cumpridas com o outro podem parecer desrespeito e quase sempre s\u00e3o por ele assim sentidas. Ceder por vontade pr\u00f3pria pode ser um recurso ocasional para o bem-viver. Ceder sempre \u00e9 submiss\u00e3o e implica despersonaliza\u00e7\u00e3o. Quem quer diluir-se para o outro ser feliz? Isso \u00e9 doen\u00e7a, masoquismo, e de ningu\u00e9m pode ser exigido. \u00c9 um pre\u00e7o muito alto para uma paz aparente.<\/p>\n<p>Nesse processo, assim como acontece com uma infiltra\u00e7\u00e3o na parede do banheiro, a mancha da d\u00favida, da autoprote\u00e7\u00e3o, do protesto, come\u00e7a a se formar. Demora \u00e0s vezes a aparecer, cresce oculta pelos adere\u00e7os, mas acaba por revelar-se e apresentar-se \u00e0 luz.<\/p>\n<p>\u201cMas eu amo tanto!\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 mesmo?! Voc\u00ea pensa realmente que isso \u00e9 amor?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Redes sociais, televisivas, revistas, jornais, grupos virtuais, todos discutem a igualdade de g\u00eanero, a constru\u00e7\u00e3o de identidade, o respeito \u00e0s escolhas sexuais. Eu, por\u00e9m, acho que a discuss\u00e3o deveria ser outra: dever\u00edamos discutir os pares, n\u00e3o importando os g\u00eaneros que os estabelecem. As d\u00favidas, medos, ci\u00fames, submiss\u00f5es se fazem tanto em pares h\u00e9tero como em.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-26","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronicas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}