{"id":24,"date":"2018-08-08T04:47:01","date_gmt":"2018-08-08T07:47:01","guid":{"rendered":"http:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas2\/2018\/08\/08\/9-latinidad\/"},"modified":"2018-08-08T04:47:01","modified_gmt":"2018-08-08T07:47:01","slug":"9-latinidad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/9-latinidad\/","title":{"rendered":"9 . Latinidad"},"content":{"rendered":"<p>\u201cFalar castelhano \u00e9 f\u00e1cil. Somos todos vizinhos e crescemos ouvindo nossos<em> hermanos<\/em>.\u201d Assim pensava eu e defendia meu ponto de vista sempre que o assunto aparecia nas conversas.<\/p>\n<p>Leio e traduzo textos em espanhol e compreendo com facilidade tudo o que nossos vizinhos dizem. Fa\u00e7o quest\u00e3o de ver sem legendas filmes espanh\u00f3is ou latino-americanos. Da\u00ed minha convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Precisei pensar com mais vagar e rever essa convic\u00e7\u00e3o quando me inscrevi num curso <em>on-line <\/em>de uma universidade portenha. Ler as orienta\u00e7\u00f5es foi quase natural \u2013 d\u00favida nenhuma. O encontro com os textos, longos e interessantes, com informa\u00e7\u00f5es claras e vocabul\u00e1rio preciso, fluiu com prazer e seguran\u00e7a. Nem me dei conta de que n\u00e3o lia em portugu\u00eas.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Come\u00e7aram, a seguir, as postagens e a reda\u00e7\u00e3o dos trabalhos solicitados. Com elas, veio o susto: \u201cEscreve-se com v ou b? <em>b larga<\/em> y <em>b curta<\/em> &#8230; Oh! C\u00e9us!&#8230;\u201d \u201cSei, sei&#8230; <em>se usa la <strong>e<\/strong> antes de palabras que empiezan por i e hi<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAcentos? Meu Jesus Cristinho! <em>El<\/em> e <em>\u00e9l<\/em>, <em>mi<\/em> e <em>m\u00ed<\/em>, <em>se<\/em> e <em>s\u00e9<\/em>. Preciso acertar.\u201d \u201cN\u00e3o esquecer: as sobresdr\u00faxulas s\u00e3o acentuadas.\u201d<\/p>\n<p>\u201cE os ditongos? Quando aqui a palavra tem ditongo e voc\u00ea pensa que l\u00e1 tamb\u00e9m deve haver, nada disso ocorre (noite \u2013 <em>noche<\/em>, leite \u2013 <em>leche<\/em>); quando se d\u00e1 o contr\u00e1rio, e, nas formas espanholas, aparecem ditongos, aqui n\u00e3o aparecem (<em>convierte, juega, habiendo<\/em>). Por que n\u00e3o entram logo num acordo?\u201d<em> On a besoin de nos rendre et accepter<\/em>&#8230; \u201cN\u00e3o, isso \u00e9 franc\u00eas! Como posso confundir?\u201d.<\/p>\n<p>Esforcei-me; dei conta da primeira tarefa \u2013 pequena. Mas devo confessar que levei um tempo enorme nesse esfor\u00e7o. As leituras continuaram agrad\u00e1veis e isso me renovava a confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Iniciou-se ent\u00e3o a segunda parte dos trabalhos. Sentei-me disposta a dar conta do solicitado: de um lado, uma gram\u00e1tica de espanhol, do outro, um dicion\u00e1rio bil\u00edngue. L\u00e1 fui eu, enterrada nas boas inten\u00e7\u00f5es. Ia escrevendo, um tanto por associa\u00e7\u00e3o, outro tanto por conhecimento, consultando aqui, retocando ali, cada vez mais consciente de minha incompet\u00eancia: portugu\u00eas e franc\u00eas invadindo meu espanhol.<\/p>\n<p>Lembrei-me de uma conhecida, vinda da Espanha para o Brasil, que certa vez me confidenciara: \u201cEu falava franc\u00eas com flu\u00eancia; depois que comecei a estudar portugu\u00eas, o franc\u00eas foi desaparecendo, e o portugu\u00eas ocupando o seu lugar\u201d.<\/p>\n<p>No auge da concentra\u00e7\u00e3o, veio-me um <em>sunt<\/em> estarrecedor: \u201cN\u00e3o, latim, n\u00e3o!\u201d H\u00e1 d\u00e9cadas meu conhecimento de latim estava enterrado em minha inf\u00e2ncia. Voltei ao texto por mim desenvolvido, e l\u00e1 estavam <em>dubitatio<\/em>, <em>petitum<\/em> e <em>humanus<\/em> brilhando como fantasmas. N\u00e3o podia faltar um toque rom\u00e2ntico, \u00e9 claro: <em>Gli studi hanno evidenziato ch<strong>e<\/strong><\/em><strong> &#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Para meu desespero, encontrei tamb\u00e9m: <em>largos ensayos \u2013 <\/em>\u201cDeus!, encompridei as experi\u00eancias!\u201d; <em>mostrador del reloj<\/em> \u2013 \u201ccoloquei um balc\u00e3o no rel\u00f3gio!\u201d; <em>crianzas en escuela \u2013 <\/em>\u201cchamei as crian\u00e7as de cria\u00e7\u00f5es!\u201d.<\/p>\n<p>Confundi ainda <em>conozco<\/em> com <em>en nuestra compa\u00f1ia<\/em> e fiquei sem saber o que de fato conhe\u00e7o.<\/p>\n<p>Com o susto, a percep\u00e7\u00e3o: \u201cEste sonho n\u00e3o posso realizar. Jamais vou conseguir falar com meus amigos argentinos em sua l\u00edngua, tampouco escrever em espanhol\u201d. Em minha cabe\u00e7a tudo se mistura e n\u00e3o consigo isolar o espanhol.<\/p>\n<p>Ah! Essas l\u00ednguas latinas t\u00e3o imbricadas em nossas mentes!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cFalar castelhano \u00e9 f\u00e1cil. Somos todos vizinhos e crescemos ouvindo nossos hermanos.\u201d Assim pensava eu e defendia meu ponto de vista sempre que o assunto aparecia nas conversas. Leio e traduzo textos em espanhol e compreendo com facilidade tudo o que nossos vizinhos dizem. Fa\u00e7o quest\u00e3o de ver sem legendas filmes espanh\u00f3is ou latino-americanos. Da\u00ed.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":25,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-24","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronicas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogpalavra.com.br\/cronicas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}