O verbo

Ação, estado, fato ou fenômeno, o  verbo é palavra indispensável na  organização do período

 

Modos do verbo – indicam as diferentes  maneiras de um fato  realizar-se.

  • Indicativo – exprime um fato certo
  • Subjuntivo – enuncia um fato  possível, duvidoso, hipotético
  • Imperativo – exprime ordem,  conselho, proibição, pedido


Modos do verbo (indicam as diferentes maneiras de um  fato se realizar): Modos Indicativo e Subjuntivo

  • “Quando nos servimos do Modo Indicativo,  consideramos o fato expresso pelo verbo como  certo, real, seja no presente, seja no passado, seja  no futuro.
  • Ao empregarmos o Modo Subjuntivo, é  completamente diversa a nossa atitude. Encaramos,  então, a existência ou não existência do fato, visto como  uma coisa incerta, duvidosa, eventual, ou, mesmo,  irreal.” (Celso Cunha e Lindley Cintra)

 

Modo Indicativo

  1. Afirmo que ela estuda.
  2. Afirmei que ela estudava.
  3. Afirmo que ela estudou (ou tem estudado).
  4. Afirmava que ela  estudara (ou tinha  estudado).
Modo Subjuntivo

  1. Duvido que ela  estude.
  2. Duvidei que ela  estudasse.
  3. Duvido que ela tenha  estudado.
  4. Duvidava que ela  tivesse estudado.

 

Em decorrência dessas distinções, podemos estabelecer os  seguintes princípios gerais, norteadores do emprego dos dois  modos nas orações subordinadas substantivas:

  1. O Indicativo é usado geralmente nas orações que completam o  sentido de verbos como afirmar, compreender, comprovar, crer  (no sentido afirmativo), dizer, pensar, ver, verificar.
  2. O Subjuntivo é o modo exigido nas orações que dependem de  verbos cujo sentido está ligado à ideia de ordem, de proibição, de  desejo, de vontade, de súplica, de condição e outras correlatas. É  o caso, por exemplo, dos verbos desejar, duvidar, implorarlamentar, negar, ordenar, pedir, proibir, querer, rogar suplicar.”

(Celso Cunha e Lindley Cintra)

 


Modos do verbo (indicam as diferentes maneiras de um fato se realizar): Indicativo

Indicativo – Com seu emprego,  apresentam-se ações ou estados  considerados na sua realidade ou  na sua certeza.

É, fundamentalmente, o modo da  oração principal.

 


Modos do verbo (indicam as diferentes maneiras de um fato se realizar): Subjuntivo

“[…] O subjuntivo denota que uma ação, ainda  não realizada, é concebida como dependente de  outra, expressa ou subentendida. Daí o seu  emprego normal na oração subordinada.

Quando usado em orações absolutas, ou [em]  orações principais, envolve sempre a ação  verbal de um matiz afetivo que acentua  fortemente a expressão da vontade do  indivíduo que fala.”

(Celso Cunha e Lindley Cintra)

Empregado em orações absolutas, em orações coordenadas  ou em orações principais, o Subjuntivo pode exprimir:

  1. um desejo, um anelo: Chovam hinos de glória na tua alma.
  2. uma hipótese, uma concessão: Seja como queres.
  3. uma dúvida (geralmente antecedido do advérbio talvez):  Paula talvez lhe telefonasse.
  4. uma ordem, uma proibição: Que ninguém se esqueça desse  pedido.
  5. uma exclamação denotadora de indignação: Diabos te levem!

(Celso Cunha e Lindley Cintra)

 

Modos do verbo (indicam as diferentes maneiras de um fato se realizar): Subjuntivo nas orações substantivas

Nas ORAÇÕES SUBSTANTIVAS, usa-se geralmente o Subjuntivo quando a oração principal  exprime:

  1. a vontade, com referência ao fato de que se fala: Não  quero que ele me julgue mal.
  2. um sentimento, uma apreciação com referência ao  fato de que trata: Pior será que nos enxotem daqui.
  3. a dúvida que se tem quanto à realidade do fato  anunciado: Receava que eu me tornasse ingrato.

(Celso Cunha e Lindley Cintra)

 

Modos do verbo (indicam as diferentes maneiras de um fato se realizar): Subjuntivo nas orações adjetivas

O Subjuntivo é de regra nas ORAÇÕES ADJETIVAS  que exprimem:

  1. um fim que se pretende alcançar, uma consequência: O  amigo tentava chamá-lo a uma realidade que o  reanimasse.
  2. um fato improvável: Não houve nada que o convencesse.
  3. uma hipótese, uma conjectura, uma simulação: Estaria  ali para dar esperança aos que a tivessem perdido?

(Celso Cunha e Lindley Cintra)

 

Modos do verbo (indicam as diferentes maneiras de um fato se realizar): Subjuntivo nas orações adverbiais

Em princípio, pode-se dizer que o Subjuntivo é de regra  depois das conjunções:

  1. Causais, quando negam a idéia da causa: […] Não que não quisesse amar, mas amar menos, sem tanto sofrimento.
  2. Concessivas (embora, ainda que, se bem que, mesmo que): O  povo não gosta de assassinos, embora inveje os valentes.
  3. Finais (para que, a fim de que, porque): Resolveu calar-se,  para que tudo voltasse à quietude inicial.
  4. Temporais (antes que, até que): Vamos embora, antes que  nos vejam.

(Celso Cunha e Lindley Cintra)

Usa-se também o Modo Subjuntivo nas orações  comparativas, condicionais e consecutivas, quando  apontam para uma hipótese e não uma realidade:

  1. Comportava-se como se fosse um robô.
  2. Se o dia fosse mais longo, eu daria conta da tarefa.
  3. Voltou-se para o lado, para que o filho pudesse  aproximar-se.

 

Substitutos do Subjuntivo

O emprego do Subjuntivo resulta às vezes em  construções pesadas, desagradáveis ao ouvido. No caso,  convém substituí-lo por formas mais eufônicas:

  1. Pelo infinitivo: O professor mandou que o aluno lesse  um romance./O professor mandou o aluno ler um  romance.
  2. Pelo gerúndio: Se andarmos depressa, ainda o  alcançaremos./Andando depressa, ainda o alcançaremos.
  3. Por um substantivo abstrato: Se tivesses voltado, serias  bem recebido./Tua volta seria bem recebida.
  4. Por uma construção elíptica: Se fosse de ferro, a ponte  suportaria o peso./De ferro, a ponte suportaria o peso.

 


Tempos verbais

Os tempos verbais situam o fato ou a ação  verbal dentro de determinado momento  (durante o ato de comunicação, antes ou  depois dele).

São três os tempos verbais: presentepretérito (ou passado) e futuro.

 


Tempos do Indicativo

  • Presente
  • Pretérito Perfeito Simples
  • Pretérito Perfeito Composto
  • Pretérito Imperfeito
  • Pretérito Mais que Perfeito Simples
  • Pretérito Mais que Perfeito Composto
  • Futuro do Presente Simples
  • Futuro do Presente Composto
  • Futuro do Pretérito Simples
  • Futuro do Pretérito Composto

 

Presente – expressa um fato atual

Pretérito Imperfeito – expressa um fato que tinha  continuidade, que era habitual ou que se repetia  num momento anterior ao ato da comunicação.

Pretérito Perfeito (simples) – expressa um fato  totalmente concluído ocorrido no passado.

Pretérito Perfeito (composto) – expressa um fato  ocorrido no passado, mas que pode ter  continuidade no presente.

Pretérito Mais que Perfeito (simples) –  expressa um fato totalmente acabado dentro  do passado. Esse fato já era anterior ao fato  mencionado como passado.

Pretérito Mais que Perfeito (composto) –  expressa a mesma mensagem que o Mais  que Perfeito simples.

Futuro do Presente (simples) – apresenta  um fato que deve ocorrer em um momento  posterior àquele em que se situa a  informação.

Futuro do Presente (composto) – apresenta  um fato que deve ocorrer posteriormente ao  momento atual, mas que já estará terminado antes de outro fato futuro.

Futuro do Pretérito (simples) – Exprime um  processo futuro tomado em relação a um fato passado: Ontem ele me disse que não viria.

Futuro do Pretérito (composto) – Tem  emprego semelhante ao anterior, acrescido  de um sentido de incerteza: Quem teria escrito?

 

Sobre os Tempos do Indicativo

1 – Emprega-se o Presente do Indicativo sempre que se tiver  a intenção de:

  • Enunciar um fato atual: É noite.
  • Indicar ações ou estados permanentes: A Terra gira ao  redor do Sol.
  • Expressar um ação habitual ou uma faculdade do sujeito:  Sou tímido.
  • Dar vivacidade a fatos ocorridos no passado: D. Pedro  recebe as cartas de Lisboa. Sente-se insultado…
  • Marcar um fato futuro, mas próximo (normalmente  acompanhado de um adjunto adverbial que sinaliza para  o futuro): Volto amanhã.

2 – Emprega-se o Imperfeito do Indicativo sempre que se tiver a intenção de:

  • Descrever o que era presente numa época passada: Naquele tempo eu fumava,  bebia e não me preocupava com a saúde.
  • Indicar, em ações simultâneas, a ação que se processava quando sobreveio a  outra: Falava alto e o bebê acabou acordando.
  • Denotar uma ação passada habitual ou repetida: O médico atendia na casa da  esquina.
  • Designar fatos passados vistos como habituais ou permanentes: Com a chegada  do frio, as crianças adoeciam.
  • Substituir o futuro do pretérito numa afirmação sobre um fato que não aconteceu  ou não poderia acontecer: Pudesse eu, você ficava aqui.
  • Substituir o presente do indicativo, como forma de polidez: Eu agora vinha pedir  um favor.
  • Situar vagamente no tempo (histórias de fadas): Era uma vez uma princesa.

3 – O Pretérito Perfeito Simples denota uma ação completamente concluída, afasta-se do Presente.

4 – O Pretérito Perfeito Composto expressa um fato repetido ou  contínuo, aproxima-se do Presente.

5 – O Pretérito Imperfeito exprime um fato passado habitual, uma ação que teve continuidade, não limitada no tempo.

6 – O Pretérito Perfeito Simples expressa um fato não  habitual, momentâneo, definido no tempo.

7 – O Pretérito Mais-que-Perfeito, além de indicar uma ação que ocorreu antes de outra já passada, é empregado  quando se quer situar um fato vagamente no passado.

8 – O Futuro do Presente Simples indica:

  • um fato provável, em relação ao tempo presente: Ele chegará  amanhã.
  • incerteza sobre um fato atual: Que barulho é este? Será um ladrão?
  • forma polida de presente: Que pensa de mim, não me dirá?
  • expressão de súplica, de ordem ou de desejo: Cumprirás tua  palavra!
  • fatos de realização provável, nas afirmações relacionadas entre si  (fatos condicionados): Se estudares, serás vencedor.Interessante é notar-se que, ao passo que o emprego do Presente  pelo Futuro transmite a ideia de certeza, o emprego do Futuro pelo  Presente, de forma contrária, transforma o certo apenas em algo possível.Na língua falada, o Futuro do Presente Simples é pouco  empregado. Costuma-se substituí-lo pelas formas de  Presente dos verbos haver, ter e ir seguidas de infinitivo:  hei-de conseguir; temos de resolver; vamos entrar.

9 – O Futuro do Presente Composto é empregado para:

  • indicar que uma ação futura estará consumada antes de  outra: Quando você chegar, já terei conversado com ele.
  • exprimir a certeza de uma ação futura: Se ele não chegar,  é que terá mudado de posição.
  • exprimir a incerteza sobre fatos passados: Terá chegado  em tempo?

10 – Emprega-se o Futuro do Pretérito Simples:

  • para designar ações posteriores à época de que se fala:  Depois de eleito, o candidato se revelaria despreparado  para o cargo.
  • para exprimir a incerteza sobre fatos passados: Quem  conheceria os fatos que agora são revelados?
  • como forma polida de presente (indicadora de desejo):  Gostaria de ouvi-la cantar.
  • para denotar surpresa ou indignação (em frases  interrogativas e exclamativas): Seria possível que tudo  acabasse naquele momento?
  • nas afirmações condicionadas: Se tivessem ouvido algum  conselho, essa desgraça não aconteceria.

11 – Emprega-se o Futuro do Pretérito Composto:

  1. Para indicar que um fato teria acontecido no  passado mediante certa condição: Teria sido  diferente, se eu o amasse.
  2. Para exprimir a possibilidade de um fato  passado: Imaginou que, numa outra realidade, ela  teria sido uma grande cantora.
  3. Para indicar a incerteza sobre fatos passados (em  frases interrogativas que dispensam a resposta do  interlocutor): Que teria acontecido para ele estar  ali tão cedo?

Tempos do Subjuntivo

  • Presente
  • Pretérito Imperfeito
  • Pretérito Perfeito Composto
  • Pretérito Mais que Perfeito Composto
  • Futuro do Presente Simples
  • Futuro do Presente Composto

1 – O Presente do Subjuntivo indica um fato:

  1. Presente: Pena que eles estejam tão desamparados.
  2. Futuro: No dia em que precise de sua ajuda, você será o  primeiro a saber.

2 – O Imperfeito do Subjuntivo pode ter o valor de:

  1. Passado: Não se passou um dia sem que ele viesse ver-  me.
  2. Presente: Se tu enxergasses além de ti, entenderias teu  filho.
  3. Futuro: Delegava a responsabilidade a quem encontrasse  primeiro.

3 – O Pretérito Perfeito do Subjuntivo exprime um fato:

  1. Passado: Espero que não a tenha ofendido.
  2. Futuro: Quando eu voltar, espero que você já tenha se  recuperado.

4 – O Pretérito Mais –que-Perfeito do Subjuntivo pode  indicar:

  1. Uma ação anterior a outra passada: Fiquei em casa até  que a chuva tivesse passado.
  2. Uma ação irreal no passado: Estava assustado como  se tivesse visto fantasmas.

5 – O Futuro do Subjuntivo Simples marca uma eventualidade e é empregado em orações:

  1. Adverbiais: Quando puder, venha ver-me.
  2. Adjetivas: O prêmio será dado ao que souber a  resposta.

6 – O Futuro do Subjuntivo Composto indica um  fato futuro considerado terminado em relação a  outro fato futuro: Quando tiveres terminado a  leitura do relatório, entenderás o que digo.

 


Como formar IMPERATIVO

PRESENTE  INDICATIVO

  • Eu amo
  • Tu amas (ama tu)
  • Ele ama
  • Nós amamos
  • Vós amais (amai vós)
  • Eles amam
PRESENTE  SUBJUNTIVO

  • Que eu ame
  • Que tu ames
  • Que ele ame (você)
  • Que nós amemos (nós)
  • Que vós ameis
  • Que eles amem (vocês)

 

IMPERATIVO  AFIRMATIVO

  • Forma-se a partir do Presente do Indicativo  (ama tu e amai vós) e  do  Presente do  Subjuntivo (ame vocêamemos nósamem  vocês).
IMPERATIVO  NEGATIVO

  • Forma-se a partir do Presente do  Subjuntivo
  • Não ames tu
  • Não ame você
  • Não amemos nós
  • Não ameis vós
  • Não amem vocês

 

Tanto o Imperativo Afirmativo como o Negativo são  empregados para exprimir:

  1. Uma ordem, um comando: Não lhe digas nada.
  2. Uma exortação, um conselho: Caminha – e esquece.
  3. Um convite, uma solicitação: Venham ver!
  4. Uma súplica: Valha-me Nossa Senhora!

Pode o Imperativo substituir construções que empreguem ‘se’ + Futuro do Subjuntivo: Leia este livro e  conhecerá o Brasil/Se você ler este livro, conhecerá o  Brasil.

 


Tempos compostos

Os tempos compostos na voz ativa (pretérito perfeito,  pretérito mais que perfeito, futuro do presente e futuro do  pretérito do indicativo; pretérito perfeito, pretérito mais que  perfeito e futuro do presente do subjuntivo) são formados  com os verbos auxiliares ter ou haver seguidos pelo  particípio do verbo principal:

Tenho trabalhado muito.
Espero que tenhamos acertado na  escolha.
Havíamos saído cedo.
Embora houvéssemos  participado do encontro, não tivemos o direito de  opinar.
Avise-me, quando ele tiver saído.
teremos  aprovado a proposta, quando ele chegar.
Haveriam encontrado os culpados, se fosse essa a intenção.

 

Os tempos compostos na voz passiva são  formados com os verbos auxiliares ter ou  haver, acrescidos do verbo ser e seguidos  pelo particípio do verbo principal:

Haviam sido acertadas as escolhas.
Os dois  têm sido vistos juntos.
Então já teremos  sido alcançados pelos vendavais.

 


Locuções verbais

As locuções verbais são formadas por um  verbo auxiliar seguido do gerúndio ou do infinitivo do verbo principal:

Hei de descobrir onde estão escondidas as  cópias.
Ficas esperando o quê?
O jornal  voltou a circular.
Temos de ir ainda  hoje.
Ele vive fazendo projetos.

 


Autores consultados

Domingos Paschoal Cegalla  Celso Cunha
Lindley Cintra  Ernani Terra
Maria Helena de Moura Neves

 

 

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